Estado de saúde de Mário Soares agravou-se e suscita preocupação

O antigo Presidente está no hospital desde a madrugada. Marcelo Rebelo de Sousa já esteve no local

O antigo Presidente da República Mário Soares, 92 anos, está internado desde a madrugada de hoje no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa,"com um quadro de agravamento do seu estado geral".

Segundo informação prestada à comunicação social pelo porta-voz do hospital, cerca das 13:00, o estado de saúde de Mário Soares suscita preocupação.

"O doutor Mário Soares deu entrada esta madrugada no Hospital da Cruz Vermelha com um quadro de agravamento do seu estado geral. Decorrem avaliações da sua situação clínica, não estando ainda estabelecido um diagnóstico definitivo", disse aos jornalistas José Barata, porta-voz do Hospital da Cruz Vermelha.

Segundo José Barata, "o Hospital da Cruz Vermelha está a acompanhar com preocupação o evoluir da situação". "O doutor Mário Soares e a sua família agradecem a preocupação de todos neste momento delicado", referiu ainda.

Fonte do círculo pessoal do antigo presidente havia referido a meio da manhã à Lusa que o estado de saúde de Mário Soares era "estacionário" e que este estava em "observação".

Marcelo Rebelo de Sousa, acabado de regressar de Nova Iorque - onde ontem António Guterres prestou juramento como secretário-geral da ONU -, visitou o antigo presidente da República esta manhã. De acordo com a SIC Notícias, o atual chefe de Estado chegou ao hospital às 11:47 e saiu do local às 11:55.

Fonte da Presidência da República disse à agência Lusa que Marcelo Rebelo de Sousa chegou a Lisboa perto das 11:30 e seguiu para o Hospital da Cruz Vermelha.

O antigo Presidente da República fez 92 anos na semana passada, a 7 de dezembro.

(Atualizada às 13:30 com declarações do porta-voz do hospital)

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.