Maria João Rodrigues, Vieira da Silva e Silva Peneda debatem emprego e economia social

A conferência desta terça-feira é dedicada à Economia Social e ao Emprego

Que futuro para o pilar europeu dos direitos sociais num tempo de mudança e de afirmação da quarta revolução industrial? Foi este o tema do segundo dia de reflexão das conferências que assinalam o 153.º aniversário do DN, em que se questionaram os desafios do também chamado terceiro setor e o emprego, que integra muitos dos equipamentos de apoio aos cidadãos e à família, num mundo cada vez mais digitalizado.

O debate contou com uma mesa constituída por Maria João Rodrigues, eurodeputada do PS, Marinho e Pinto, eurodeputado do PDR, e Silva Peneda, economista e conselheiro da Comissão Europeia, ex-deputado, nacional e europeu, e ex-ministro do Emprego.

Termina com uma intervenção de Vieira da Silva, ministro do Trabalho, do Emprego e da Segurança Social.

A moderação é de Paulo Tavares, diretor-adjunto do DN.

A formação profissional e uma maior participação do Estado no nascimento e desenvolvimento das empresas da economia social foram duas das ideias chave apresentadas por Paula Guimarães, diretora da Fundação Montepio, na abertura da conferência.

"A Associação Mutualista tem procurado estimular a mudança. E ela está a ocorrer, não tão depressa como seria desejável e necessário, mas estamos convictos de que somos, juntos, uma das mais relevantes armas para combate a algumas das ameaças do futuro", salientou a dirigente.

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Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

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Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

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De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.