Marcelo, satisfeito com resposta, foi receber sem-abrigo

Enquanto temperaturas estiverem baixas, pavilhão municipal da Graça e cinco estações do metro vão manter-se abertos

No pavilhão municipal da Graça, em Lisboa, já estavam cerca de 20 pessoas sem-abrigo quando Marcelo Rebelo de Sousa chegou. Um número ainda reduzido, mas que o Presidente, disse ao DN, esperar que aumente: "Há medida que o frio aperta vem mais gente." Marcelo fez questão de passar pelo pavilhão que até, pelo menos, sexta-feira estará aberto para acolher os sem-abrigo por causa do frio. Antes da chegada do Presidente, as equipas no local - bombeiros sapadores, Cruz Vermelha, Proteção Civil e associações civis - reuniram-se para concertar a resposta a prestar àqueles que aqui se dirigirem nestes dias de maior frio.

É o caso de António, sem uma casa para morar há quatro anos, e que hoje vem mais uma vez procurar o conforto de uma sopa quente, um banho e agasalhos novos. A ementa desta noite - e que Marcelo não deixou de espreitar - é creme de legumes, massa gratinada com carne e fruta. Para o final da noite e o pequeno-almoço há pão e café.

"Coma, não deixe arrefecer", aconselha Marcelo a uma das pessoas que estão sentadas já no pavilhão com o jantar à sua frente. O Presidente vai trocando algumas palavras com algumas das pessoas sem-abrigo. Durante o percurso ouve alguém a chamar por si. Tem uma selfie tirada com o Presidente no ano anterior.

Marcelo Rebelo de Sousa faz uma visita curta, apenas para cumprimentar as pessoas que ou estão aqui a trabalhar ou são os utentes destes serviços e elogiou a resposta dada pela câmara. "É um exemplo de capacidade de resposta imediata do município", sublinhou, mostrando-se também satisfeito pela visibilidade e respostas que estão a ser dadas aos sem-abrigo.

Uma das primeiras paragens de quem chega ao pavilhão é o banco de roupa, onde está o psicólogo João Trigueira, da Associação de Assistência de São Paulo. Aqui podem encontrar agasalhos, mas também camisas, calças, sapatos, produtos de higiene. "Do que mais precisamos é de toalhas de banho e produtos de higiene", refere João Trigueira.

Há um registo na entrada, em que as pessoas sem-abrigo indicam se pretendem apenas uma refeição, se querem também tomar um banho quente e roupas e ir para um dos centros de acolhimento. Para estes dias estão disponíveis 40 vagas nos centros. Na primeira hora, passaram por este balcão da entrada 16 pessoas. A maioria passava antes pelo banho e depois é que se dirigia ao jantar.

Além das vagas nos centros de acolhimento, estão ainda abertas cinco estações de metro, onde é possível passar a noite: Oriente, Cais do Sodré, Intendente, Saldanha e Rossio. Na rua vão estar por estes dias seis equipas a informar as pessoas de que existem estes espaços onde se podem abrigar do frio. "Faz mesmo muito frio, não dá para estar lá fora", admite António, que pretende passar a noite numa das estações de metro.

Municípios ativam apoios

De norte a sul do país, vários municípios estão a tomar medidas com vista à proteção dos sem-abrigo. A Câmara Municipal do Porto ativou, ontem, o Plano de Contingência para a "vaga de frio" e anunciou que vai disponibilizar transporte para o Centro de Acolhimento de Emergência, que existe no antigo Hospital Joaquim Urbano desde setembro do ano passado. Além disso, as estações de metro do Bolhão e da Casa da Música vão manter-se abertas 24 horas, até ao dia 8. Também a Misericórdia do Porto vai disponibilizar dois dos seus equipamentos do concelho para albergar quem dorme na rua.

Em Oeiras, foi ativado o Plano de Contingência em Vaga de Frio, que inclui oferta de agasalhos e acolhimento noturno para pernoita das pessoas sinalizadas e acompanhadas pelos parceiros. Este vai estar disponível nas instalações do quartel dos Bombeiros Voluntários do Dafundo e inclui a oferta de um kit de higiene pessoal e vestuário.

Já em Leiria, a Cruz Vermelha vai disponibilizar alojamento para pessoas que residam em condições habitacionais muito precárias, uma medida tomada em conjunto com a câmara municipal, para responder às baixas temperaturas que se vão sentir no país.

No município de Aveiro, fonte da autarquia adiantou ao DN que não será tomada "nenhuma medida extraordinária" neste período, porque "não é necessário". "Temos um número pequeno de sem-abrigo - são 25 - e as medidas que tomamos ao longo do tempo são suficientes", disse a mesma fonte.

Um pouco por todo o país, a GNR vai reforçar as ações de vigilância junto de 45 mil idosos que vivem sozinhos e isolados. Dando conselhos de como se devem proteger do frio, sem correr riscos.

Exclusivos