Marcelo: posições podem desagradar aos partidos, mas nunca aos portugueses

Presidente da República escusou-se a comentar polémica dos SMS trocados entre ministro das Finanças e ex-presidente da Caixa

O Presidente da República escusou hoje fazer comentários adicionais sobre a polémica que envolve o ministro das Finanças e a Caixa Geral de Depósitos, considerando que na definição das posições presidenciais pode desagradar aos partidos, mas nunca aos portugueses.

No final da visita à OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, em Alverca, no concelho de Vila Franca de Xira, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado pelos jornalistas sobre as notícias hoje avançadas pelos jornais de que teria tido conhecimento dos SMS (mensagens de telemóvel) trocados entre o ministro das Finanças e o ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), escusando-se a fazer qualquer comentário adicional porque escreveu uma nota "cuidadosamente para cobrir tudo o que queria cobrir".

"O Presidente da República tem que definir a sua posição a pensar em Portugal e nos portugueses. E, portanto, umas vezes desagrada a um partido, outras vezes desagrada a outro partido, mas o fundamental é que não desagrade aos portugueses naquilo que é fundamental para eles e é essa a função do Presidente da República", respondeu o chefe de Estado quando questionado sobre as críticas que surgiram da área socialista à posição assumida na segunda-feira em relação a Mário Centeno.

Em relação à CGD, para o Presidente da República, o que é importante é que o banco público "vai ter num futuro próximo operações importantes de recapitalização", que "é preciso que corram bem".

"Devemos todos unir os esforços para que corram bem as operações de capitalização da Caixa Geral de Depósitos", apelou.

Marcelo Rebelo de Sousa foi insistentemente questionado pelos jornalistas sobre toda esta polémica, tendo começado por responder: "sobre isso o que eu tinha a escrever, já escrevi".

"Deixei aliás escrito para não haver dúvidas e portanto não vou voltar a isso", assegurou.

Sobre as críticas que lhe foram feitas, o Presidente da República foi perentório: "não vou comentar comentários à nota".

"Muito obrigada pela vossa paciência aeronáutica", ironizou o Presidente da República aos jornalistas na despedida.

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Henrique Burnay

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Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.