Marcelo faz discurso de união: "Quanto mais coesos formos mais fortes seremos"

Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se preocupado com os tempos de "incerteza e desafio" que se vivem e prometeu estar atento aos mais carenciados

Marcelo Rebelo de Sousa anunciou que enquanto Presidente da República tudo fará "para unir aquilo que as conjunturas dividam". Num discurso de vitória em que alertou para os tempos de instabilidade, "incerteza e desafio" que se vivem, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou: "Um país como o nosso, a sair de uma crise económica e social profunda, não se pode dar ao luxo de desperdiçar energias". E acrescentou: "Quanto mais coesos formos mais fortes seremos no combate às injustiças e na promoção da credibilidade e da esperança no futuro".

Marcelo Rebelo de Sousa, que falava na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, justificou a escolha do local para o seu discurso de vitória como "uma escolha afetiva", ligada aos seus anos enquanto aluno e professor catedrático na instituição, que descreveu como sendo um lugar "de liberdade e de pluralismo".

"O povo é quem mais ordena e foi o povo quem me quis dar a honra de me escolher para Presidente da República de Portugal", disse o vigésimo presidente, deixando também uma palavra de reconhecimento àqueles que, não tendo apoiado a sua candidatura, foram também votar este domingo.

Marcelo Rebelo de Sousa tomará a posse no dia 9 de março, substituindo Aníbal Cavaco Silva. No seu discurso, o vencedor da noite saudou o atual Presidente da República e também os antecessores Ramalho Eanes, Jorge Sampaio e Mário Soares, dizendo que todos "serviram o interesse nacional."

Marcelo prometeu ainda prestar atenção preferencial aos mais carenciados, "os que vivem nas periferias da sociedade, de que fala o Papa Francisco".

O vigésimo presidente mostrou-se também preocupado com o crescimento económico e a estabilidade financeira. "Temos de agir com prudência para minimizar os riscos dispensáveis", afirmou. "Temos de ser capazes de crescer de forma sustentada, de gerar emprego, de corrigir injustiças sociais que a crise agravou, mas temos de fazer tudo isto sem comprometer a solidez financeira", disse.

Resumiu assim a sua visão para o país durante o seu mandato: "Em palavras simples e diretas: no tempo que aí vem, a opção é clara: ou crescemos economicamente de forma sustentada, criando justiça social, combatendo a exclusão, a pobreza e a desigualdade, ao mesmo tempo que moralizamos a vida pública e atalhamos as corrupções, ou só contribuiremos para agravar as tensões sociais e os radicalismos políticos".

Com sete freguesias por apurar, Marcelo Rebelo de Sousa era o candidato mais votado com 52% dos votos nas eleições presidenciais deste domingo.

Com Rui Pedro Antunes

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