Marcelo estuda preços da EDP e recusa comentar notícia sobre Centeno e Benfica

"É uma matéria sobre a qual não me queria pronunciar já, uma vez que estou a estudá-la e a acompanhar o que se passa, porque ela é muito mais vasta e muito mais ampla", disse sobre o aumento dos preços da eletricidade

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou este sábado que o aumento dos preços da eletricidade pela EDP no mercado livre é uma matéria que está a estudar e sobre a qual poderá vir a pronunciar-se.

"É uma matéria sobre a qual não me queria pronunciar já, uma vez que estou a estudá-la e a acompanhar o que se passa, porque ela é muito mais vasta e muito mais ampla. E quando tiver dados de facto para eventualmente me pronunciar, pronunciarei", declarou o chefe de Estado, em resposta a questões dos jornalistas, na varanda do Palácio de Belém, em Lisboa.

Marcelo Rebelo de Sousa, que falava após ter ouvido cantar as Janeiras, em Dia de Reis, foi também questionado sobre a notícia do jornal 'online' Observador de que o ministro das Finanças pediu bilhetes ao Benfica para assistir a um jogo de futebol na bancada presidencial, mas recusou comentar este caso.

Interrogado sobre se vê razões para polémica nesse pedido do ministro Mário Centeno, o chefe de Estado disse: "Eu não vou comentar agora casos avulsos dessa natureza".

Questionado sobre se considera que os responsáveis políticos devem ter este tipo de benesses, respondeu: "Não vou comentar uma matéria que, primeiro, é pontual, e relativamente à qual não tenho dados, de facto, para poder comentar".

Em 2018, no mercado livre, a EDP Comercial vai aumentar o preço da eletricidade em média 2,5% este ano.

Segundo o presidente da empresa, Miguel Stilwell, a principal razão para esta subida média de 2,5% das tarifas em 2018 é o "aumento de preços da energia no mercado grossista em 24% no último ano", em grande parte devido à seca e ao incremento do preço do carvão.

"Temos que refletir esse aumento no nosso preço. O [mercado] regulado não refletiu esse aumento", declarou o gestor à agência Lusa, no final de dezembro.

Sobre a possibilidade de os outros comercializadores em mercado livre também virem a subir as tarifas no próximo ano, Miguel Stilwell não quis falar "pelos outros", mas considerou que "qualquer empresa racional, face ao aumento de 24% dos custos da energia, terá que refletir nos preços".

Em outubro de 2017, a EDP Comercial era o principal operador no mercado livre de eletricidade em número de clientes (84% do total de clientes) e em consumos (cerca de 43% dos fornecimentos no mercado livre).

Na sequência deste aumento, que começou a ser comunicado aos clientes na quarta-feira, o Governo solicitou à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) informação e análise sobre a existência de empresas em mercado livre a aumentar preços da eletricidade "em outras componentes que não a do custo unitário de energia".

O Observador noticiou na sexta-feira que Mário Centeno "pediu lugares para si e para o filho para o Benfica-Porto da época passada", disputado no dia 01 de abril de 2017, referindo que o gabinete do ministro das Finanças confirmou esse pedido de "dois lugares para a bancada presidencial" e justificou-o com razões de segurança.

"O pedido, apurou o Observador, foi feito através do assessor diplomático do ministro das Finanças e incluía um segundo lugar naquela bancada, que seria para o filho de Centeno, um pedido que pode configurar recebimento indevido de vantagem ou colidir com o Código de Conduta do Governo", lê-se na notícia.

Segundo um esclarecimento do gabinete de Mário Centeno, "a notoriedade pública" do ministro "coloca exigências à sua participação em eventos públicos como jogos de futebol no que concerne a garantir a sua segurança pessoal" e "foi neste contexto que foram solicitados dois acessos" à bancada presidencial do estádio do Benfica para o jogo de 01 de abril de 2017.

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