Marcelo em dois continentes e três países em dez dias

França, Egito e Espanha são os próximos destinos do Presidente da República, que já conta com 33 deslocações. No intervalo destas viagens faz escala em Portugal, com agenda

Marcelo Rebelo de Sousa arrancou o seu mandato com uma viagem-relâmpago a Roma (melhor: ao Vaticano) e a Madrid, duas visitas do Presidente da República à Santa Sé e ao Palácio Real, a 16 e 17 de março de 2016.

Dois anos depois, o Parlamento discute um périplo de dez dias do Presidente da República, o primeiro que o leva num tão curto espaço de tempo a viajar entre dois continentes, África e Europa, e três países: de 8 a 18 de abril, primeiro em França, depois no Egito e, por fim, em Espanha. Pelo meio, Marcelo Rebelo de Sousa faz sempre escala em Portugal - com agenda para essas passagens.

Os programas definitivos das três viagens estão ainda por fechar, confirmou o DN. A primeira deslocação durante o mês de abril é a França (onde Marcelo já esteve cinco vezes), entre os dias 8 e 10, para o Presidente da República tomar parte nas comemorações do Centenário da Batalha de La Lys.

A comuna de Béthune-Bruay (no departamento de Pas-de-Calais, na região de Hauts-de-France, no noroeste do país) prepara numerosos eventos, entre cerimónias, exposições e espetáculos para assinalar - durante um mês, a partir de dia 7 de abril - essa batalha da Primeira Guerra Mundial, em 9 de abril de 1918, na qual 7 000 homens do Corpo Expedicionário Português foram mortos, feridos ou feitos prisioneiros em terras de La Lys (Ypres, em flamengo), na província belga da Flandres.

Depois de participar no Porto numa conferência, Marcelo Rebelo de Sousa desloca-se ao Egito de 11 a 13 de abril, em visita de Estado, a convite do seu homólogo egípcio, Abdul Fatah Khalil Al-Sisi. Será uma estreia na região do Médio Oriente.

O Presidente da República volta a sair do país, para uma visita de Estado, a primeira deste tipo, apesar de já se ter deslocado ao território espanhol por quatro vezes (incluindo logo na primeira saída do país). Esta viagem é feita a convite do rei Filipe VI, de 15 a 18 de abril, após tomar parte também em cerimónias no Mosteiro da Batalha, onde se realizam as comemorações dos combatentes.

Com estas três deslocações, Marcelo passará a contar com 36 viagens ao estrangeiro (das quais 23 são visitas de Estado ou oficiais), num total de 27 países diferentes visitados. África, América do Norte e América do Sul e, inevitavelmente, Europa são os continentes que Marcelo visitou.

A primeira viagem do Presidente da República com caráter de visita de Estado foi a Moçambique, em maio de 2016.

Tantas viagens como Cavaco

Este ano, depois de um final de 2017 em que foi obrigado a cancelar a agenda interna, por causa de uma operação cirúrgica, e a reduzir o ritmo, Marcelo Rebelo de Sousa já fez duas viagens de Estado, primeiro a São Tomé e Príncipe (de 20 a 22 de fevereiro) e Grécia (de 12 a 14 de março).

Somando as próximas três deslocações às 23 viagens de Estado e oficiais já realizadas, o atual Chefe do Estado deixa de sair a perder na comparação com o anterior presidente. Nos dez anos em que esteve em Belém, Cavaco Silva somou 26 viagens de Estado e oficiais, que é o número mais baixo dos presidentes eleitos desde o 25 de Abril. A sua viagem mais longa foi em maio de 2012, durante dez dias consecutivos, passando por quatro países: Timor-Leste, Indonésia, Austrália e Singapura.

Mário Soares leva a palma nesta matéria, tendo realizado 48 viagens de Estado e oficiais nos dez anos em que esteve na Presidência da República. O seu sucessor, Jorge Sampaio, fez 45, enquanto que Ramalho Eanes realizou 28 viagens oficiais ou de Estado.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.