Marcelo e os consensos: "Os especialistas do cérebro dão-me razão"

Presidente da República compara o acordo entre milhões de neurónios e o acordo entre meia dúzia de partidos

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou-se hoje impressionado ao saber que biliões de neurónios só agem por consenso e concluiu que os cientistas do cérebro dão razão ao seu apelo aos partidos.

O chefe de Estado falava aos jornalistas

"Eu saio muito feliz, porque eu passo a vida a defender consensos, acordos, e aparentemente os especialistas do cérebro dão-me razão", declarou o Presidente da República no final de uma visita a um campus de biotecnologia em Genebra, Suíça. "Já imaginou o que é consenso entre biliões de neurónios? Se é possível esse consenso, há de ser possível o consenso entre meia dúzia de partidos", considerou.

Durante esta visita, em que esteve com o presidente da Suíça, Johann N. Schneider-Ammann e que a comunicação social não pode acompanhar, Marcelo Rebelo de Sousa conheceu vários laboratórios do campus tecnológico e falou com investigadores, alguns deles portugueses.

No final, o Presidente da República destacou uma explicação que ouviu sobre as funções do cérebro, que reproduziu aos jornalistas: "Foi aqui explicado, e eu até fiquei muito impressionado, que cada neurónio tem uma visão do mundo, e luta com outras visões do mundo e são biliões de neurónios, por áreas".

"Primeiro, há uma luta dentro de cada área até haver um consenso. Se não há consenso, não há posição dessa área. E depois as várias áreas, a visão, outro tipo de sentidos, entram também numa certa disputa ou debate, até haver uma decisão", acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa traçou então um paralelo entre os comportamentos na sociedade e o funcionamento do cérebro: "Também na sociedade é a mesma coisa, dentro de uma família, dentro de uma empresa, dentro de uma escola".

"Dentro de um Governo, dentro de um parlamento, dentro de um sistema político, cada qual tem a sua visão, têm de compor as visões, só no momento em que há consensos é que há preparação para uma decisão", completou.

No seu entender, "deve ser mais difícil" haver consenso no cérebro de um indivíduo do que na política: "Porque enquanto no plano coletivo estamos a falar num número limitado de instituições, aqui estamos a falar de biliões de neurónios".

Ler mais

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.