Marcelo cumpre promessa feita a militares

Presidente recebido pelos contingentes portugueses ao serviço da ONU e da UE na República Centro-Africana

Mais de um ano depois de manifestar a vontade de visitar o contingente português ao serviço da ONU na República Centro-Africana (RCA), Marcelo Rebelo de Sousa foi recebido ontem pelos militares estacionados em Bangui.

O Presidente da República e comandante supremo das Forças Armadas, a exemplo das visitas de outros responsáveis portugueses à RCA, não divulgou previamente a visita a Bangui - onde esteve também com os militares portugueses que agora comandam a missão de treino da UE nesse país - devido a questões de segurança.

Com o Palácio de Belém a informar que Marcelo viajou sem a presença de jornalistas, o Presidente fez-se acompanhar por uma comitiva muito reduzida que incluía o ministro da Defesa, o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e os comandantes do Exército e da Força Aérea (ramos que dão efetivos para o contingente que atua como força de reação rápida das Nações Unidas na RCA).

A vontade presidencial de estar com os militares destacados em Bangui foi anunciada em dezembro de 2016, no quartel do Regimento de Comandos (Carregueira, Sintra), durante a cerimónia de entrega do estandarte nacional ao primeiro contingente a enviar para a RCA - na sequência de um pedido da França, interessada em reduzir o seu esforço na Missão Multidimensional Integrada de Estabilização na República Centro--Africana (MINUSCA) para reforçar o combate contra o Estado Islâmico na Síria.

Problemas de segurança na RCA acabaram por inviabilizar a ida do Chefe do Estado a Bangui durante o primeiro ano da missão, a cargo de dois contingentes de militares comandos. Só agora, quando o grosso da força é composta por paraquedistas, é que foi possível concretizar a intenção de Marcelo Rebelo de Sousa.

Este terceiro contingente da Força Nacional Destacada (FND) ao serviço da ONU na RCA, que iniciou neste mês a sua comissão de meio ano, é composto por 159 militares (156 paraquedistas do Exército e três controladores aéreos táticos da Força Aérea) e está estacionado em campo M"Poko.

O risco e a dureza das operações em que os militares portugueses podem ser envolvidos já mereceu rasgados elogios e louvores do próprio comandante operacional da ONU no terreno, bem como das autoridades nacionais. A MINUSCA tem a responsabilidade de garantir a proteção de civis contra grupos armados, bem como promover e proteger os direitos humanos, dar apoio à justiça nacional e internacional e facilitar "o desarmamento, a desmobilização, a reintegração e a repatriação" de pessoas naquele contexto de crise política e violações dos direitos humanos.

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