Marcelo confiante no papel dos professores na qualificação dos portugueses

Presidente diz que é preciso "juntar esforços em torno da crucial relevância de formar uma comunidade de cidadãos ativos, informados e qualificados

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou hoje a necessidade de "elevar os níveis de qualificação dos portugueses" e notou que os professores "estarão na linha da frente" desse trabalho e "saberão responder ao desafio".

A mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa, enviada à Federação Nacional dos Professores (Fenprof) a propósito do seu 12º Congresso, foi lida na sessão de abertura do evento, no Porto. "Temos de trabalhar para elevar os níveis de qualificação da nossa população. Os portugueses precisam de acreditar que todos os alunos podem concluir o ensino secundário. Necessitamos de acreditar que somos, pelo menos, tão capazes quanto os nossos parceiros europeus. Mais uma vez, na linha da frente estarão os professores que, estou certo, saberão responder ao desafio", escreveu o PR, na mensagem escrita a que a Lusa teve acesso.

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, "a frágil estrutura de qualificações da sociedade portuguesa sublinha a absoluta necessidade de o país produzir compromissos em torno da educação de jovens e adultos, sob pena de perpetuarmos uma cidadania pouco exigente, uma força de trabalho pouco qualificada e uma economia pouco competitiva". "Temos de ser capazes de abandonar velhos mitos que depreciam a importância da educação e do conhecimento", alertou.

Para o Chefe de Estado, é preciso "juntar esforços em torno da crucial relevância de formar uma comunidade de cidadãos ativos, informados e qualificados que permitirá encarar com redobrado otimismo a participação num mundo cada vez mais globalizado e exigente".

Notando que os doze anos de escolaridade "foram definidos como limiar mínimo de qualificação da população portuguesa, respondendo ao principal desafio colocado ao sistema educativo", o PR vincou que esse limiar "deve também ser perspetivado como condição para o exercício pleno da cidadania, para o consciente exercício de direitos e deveres, e para viver e trabalhar nos dias de hoje".

Marcelo Rebelo de Sousa vincou ainda que "elevar o nível de qualificação da população portuguesa permanece como o principal desafio à integração, apesar dos impressivos desenvolvimentos observados durante o período democrático".

"Nos últimos 40 anos, Portugal foi capaz de quase universalizar o ensino básico e fez relevantes progressos no ensino secundário e superior", observou o Presidente, destacando também o papel do alargamento da educação pré-escolar. "Na linha da frente da democratização escolar estiveram os professores", lembrou.

Marcelo notou que, "apesar do enorme esforço do país, Portugal continua a acumular défices de competências na União Europeia", nomeadamente no que diz respeito ao abandono escolar.

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