Marcelo aguarda que lei sobre "barrigas de aluguer" chegue às suas mãos para se pronunciar

O Presidente da República admitiu que o tema deve ser debatido

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje aguardar que a legislação sobre "barrigas de aluguer", aprovada na sexta-feira, chegue ao seu conhecimento para poder pronunciar-se, admitindo que não se deve poupar o debate.

No dia em que visitou a Aldeia SOS, em Bicesse, concelho de Cascais, para homenagear as famílias de acolhimento às crianças que lá vivem, Marcelo Rebelo de Sousa frisou que "há várias formas de constituir família".

"Este é um exemplo que eu considero de solidariedade, de empenhamento cívico e dedicação de pessoas que quis homenagear no Dia da Família. O resto são leis que estão a ser feitas no Parlamento e o Presidente da República só se pronuncia sobre elas quando chegarem às suas mãos. Hão de chegar e nessa altura pronuncio-me" afirmou.

Marcelo referia-se à aprovação em votação final global do projeto do Bloco de Esquerda sobre legalização da gestação de substituição.

O Presidente da República admitiu que o debate sobre o tema não deve ser poupado, mas que, para já, não é da sua competência.

"Tudo o que está no Parlamento, pela própria natureza, deve ser objeto de debate no Parlamento e fora do Parlamento. Não cabe ao Presidente da República. O Presidente da República pode dizer que é bom debater, mas não se pode substituir nem à sociedade civil, nem aos deputados, que têm a última palavra a dizer sobre a lei que está a ser votada", justificou.

Marcelo foi recebido hoje pelas crianças da Aldeia SOS e, à chegada, distribuiu beijinhos aos mais novos e até aconselhou um deles a ser aspirante a Presidente da República. "Sabes que não é nada fácil. Queres ir a Belém ver como é o meu trabalho? Então temos de combinar um fim de semana", disse.

Depois, aos jornalistas, explicou que "o mais complicado é as pessoas às vezes não se conhecerem".

"Umas têm um ponto de vista, outras têm outro ponto de vista e como não falam muito acabam por não ter aproximações e depois quando começam a falar percebem que têm muito em comum. É preciso ultrapassar isso e fazer aproximar as pessoas. O que não é impossível, demora tempo, mas não é impossível", frisou.

No dia em que se decide o campeão nacional entre Benfica e Sporting, o futebol foi também tema de conversa com as crianças e, hoje, Marcelo disse não ter clube.

"O Presidente não pode ter clube. Sou de todos os clubes", concluiu.

Ler mais

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.