Manuel Pizarro. "Não contava estar aqui hoje"

"Não, obrigado", é a resposta do agora candidato socialista ao Porto a Rui Moreira, que ontem disse que o convidará para a vereação da autarquia

"Não contava estar aqui hoje". A frase abriu o discurso do mais recente candidato autárquico do PS, Manuel Pizarro, à convenção nacional autárquica dos socialistas, que hoje decorre em Lisboa. Promotor, desde a primeira hora, do apoio do PS a Rui Moreira nas próximas autárquicas no Porto, Pizarro foi esta tarde ao Pavilhão Carlos Lopes fazer o elogio do trabalho feito nos últimos quatro anos e sublinhar que "com grande pena", já "não é possível" manter esse apoio. "Infelizmente, e depois daquilo que se passou nos últimos dias, sobretudo ontem [com a entrevista de Rui Moreira à SIC], não vai ser possível continuar por mais quatro anos esta associação num projeto comum", afirmou.

Anunciado oficialmente esta manhã como candidato socialista à Invicta, Manuel Pizarro foi recebido na convenção autárquica do partido com uma ovação em pé e, depois de efusivos abraços, sentou-se na primeira fila, entre o secretário-geral, António Costa, e a secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes - que, em entrevista ao Observador, afirmou que uma vitória de Moreira no Porto seria uma vitória socialista, declarações que levaram o movimento independente do autarca a prescindir do apoio do PS.

Chamado ao palco, Pizarro disse não querer "alimentar picardias, atacar este ou aquele, esta ou aquela afirmação". Mas também acrescentou, referindo-se às palavras de Rui Moreira, na noite de sexta-feira em entrevista à SIC - o líder portuense disse que convidaria Pizarro para a vereação, mas que o número dois seria um independente, e o PS "apoia ou não apoia" - que "há convites que feitos num determinado tempo e num determinado modo, não podem ser aceites: têm que ser declinados". "Porque, fossem eles aceites", acrescentou, "tornariam mais pequenos quem assim agisse". "Também por isso, a minha resposta é a seguinte: não, obrigado", concluiu Pizarro, que é vereador na câmara da Invicta com os pelouros da Habitação e da Ação Social.

Manuel Pizarro defendeu, sobre a ação do executivo camarário nos últimos quatro anos que "o projeto funcionou, o trabalho realizado foi muito relevante" - e o PS "contribuiu, objetivamente, para o bom governo da câmara". "Perante estes resultados, inequivocamente bons, defendi que o PS poderia e deveria apoiar o atual presidente da câmara na candidatura a um segundo mandato", justificou o agora candidato, sublinhando que "ao contrário do que alguns anteviam,o PS não perdeu a identidade durante estes anos de governação" e que "não perderia a identidade e não renunciaria à sua natureza com a declaração de apoio à próxima candidatura do atual presidente". Mas "à pergunta sobre se é possível, nas circunstâncias de hoje, perseverar na ideia de um apoio a Rui Moreira, tenho que dizer, com grande pena: não, não é possível". "Por muito que me tenha empenhado nessa solução, ela não é realizável", acrescentou.

"Defendo agora que deve haver, que tem que haver, uma candidatura do PS", defendeu Pizarro, garantindo não estar "zangado" nem procurar "compensação".

Recorde-se que o apoio do PS à recandidatura de Rui Moreira dividiu os socialistas, com Manuel Pizarro - que é presidente da distrital portuense - no centro das críticas.

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