Manuel Pizarro ganha embalo e distribui entusiasmo nas ruas

Candidato do PS andou, muito ativo, pelo bairro da Sé enquanto o independente Rui Moreira também fez campanha em artérias do centro da cidade

O dia tinha começado bem. Do debate matinal que juntou ontem seis candidatos à Câmara do Porto, o candidato do PS saiu mais reforçado como o principal oponente de Rui Moreira e quando Manuel Pizarro chegou ontem à Sé o entusiasmo era evidente. À sua espera, num território em que os socialistas têm forte apoio, tinha um grupo numeroso de apoiantes que o seguiram pelas ruas estreitas, onde algumas varandas estavam lotadas com cartazes e bandeiras do partido. Rui Moreira também aproveitou a tarde para fazer campanha nas ruas do centro do Porto e desvalorizou as sondagens que têm sido realizadas. Os dois homens que parecem estar em melhores condições para disputar a presidência da Câmara acabariam o dia no mesmo local: o estádio do Dragão, onde a paixão pelo FC Porto é comum.

Na Sé, que integra a freguesia do Centro Histórico que o PS procura reconquistar ao movimento de Rui Moreira, Manuel Pizarro exibiu os seus dotes de bom conversador e de figura pública de fácil comunicação. Distribuiu beijos e cumprimentos, enquanto a sua comitiva gritava "A Sé vai votar, o Pizarro vai ganhar". Ainda ouviu um portuense dizer-lhe para se cuidar bem. "Não, não vou ficar doente", garantiu. As sondagens embalam mas não iludem. O candidato socialista admite que é bom ter perspetivas positivas, é "ser sempre melhor ter uma sondagem favorável do que desfavorável", mas remeteu para o dia 1 de outubro a verdadeira sondagem até porque, lembrou, o Porto já deu provas que não se deixa influenciar.

Após o debate do JN e TSF, as críticas a Rui Moreira foram retomadas: "É fácil de ver que a atitude de quem não vai aos debates das instituições, quem falta a uma parte dos debates na comunicação social, quem não apresenta programa eleitoral, não está a tratar do assunto das eleições com a seriedade que o assunto merece", apontou, lembrando de novo o apoio do CDS: "Não pode fingir que paira à margem dos partidos quando a sua candidatura está massivamente invadida pelo CDS."

Rui Moreira responde que nunca escondeu o apoio do partido ao seu movimento. "Nem há quatro anos, nem agora. O CDS apoia a minha candidatura. Quando Pizarro queria estar nesta candidatura nunca levantou problema pelo facto de o CDS também a apoiar", disse enquanto caminhava, com uma comitiva numerosa de apoio, pelas ruas da Baixa. Apesar de Assunção Cristas ter estado ontem no Porto, Moreira disse que não iria encontrar-se com a líder dos centristas. E deixou o que definiu como uma constatação: "Pode ser que, um dia destes, consiga encontrar alguém do Governo que venha cá e não seja para fazer campanha." Hoje o candidato independente apresenta o seu manifesto no teatro Municipal Rivoli.

Álvaro Santos Almeida teve uma ação de campanha para falar do problema do trânsito, que reclama ter lançado na campanha, enquanto João Teixeira Lopes, candidato do BE, acusou a Sociedade de Reabilitação Urbana, com capitais da Câmara do Porto e do Estado, de ser "máquina de fazer dinheiro" e deu o exemplo de um prédio na Ribeira que, em vez de ser reabilitado, está para venda por "521 mil euros".

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