Manuel Pinho, um ministro com tendência para "gaffes"

Manuel Pinho foi alvo de críticas cerradas devido a "gaffes", como anunciar o fim da crise em 2006 e dizer na China que a mão-de-obra em Portugal era barata, acabando hoje por demitir-se no meio de polémica.

Em Outubro de 2006, o até hoje ministro da Economia, Manuel Pinho, anunciava "o fim da crise" em Portugal.

Falando em Aveiro, o então ministro da Economia disse então aos jornalistas que "a crise acabou" e que se vivia um "ponto de viragem" na economia, porque já não se falava "em recessão e em investimento zero".

Reagindo ao anúncio, o vice-presidente do PSD Azevedo Soares considerou que "só pode ser uma piada de mau gosto", do lado do PCP, o deputado Honório Novo considerou que Manuel Pinho fez afirmações "folclóricas e de fantasia que só podem ser explicadas pelo carácter irrequieto" do ministro da Economia e do CDS-PP Diogo Feyo aconselhou o ministro da Economia a "ter cuidado" com o que dizia.

Em 2007, foi o programa promocional 'Allgarve' apresentado com o intuito de promover o turismo algarvio, que suscitou várias críticas no seio da política interna.

Entre outros, o deputado social-democrata pelo Algarve, Mendes Bota, pediu ao Governo que suspendesse a campanha 'Allgarve', até encontrar um título que repusesse "a dignidade e o respeito pelo nome da região" e o ex-secretário de Estado do Turismo de António Guterres, Vítor Neto, alertou para o perigo do nome ganhar "dinâmica de uma nova marca, que substitua a marca Algarve", que levou anos a afirmar.

O responsável da Grande Área Metropolitana do Algarve (AMAL), Macário Correia, também se juntou às críticas ao ministro da Economia e disse, na altura, que Manuel Pinho "não estava em condições" de exercer a sua função e que "para bem" do país deveria ser afastado do cargo.

No mesmo ano, o ministro, que acompanha o primeiro-ministro numa visita à China, apelou ao investimento chinês em Portugal argumentando que os custos salariais são inferiores à média da União Europeia (UE) e têm uma menor pressão de aumento do que nos países do alargamento Os partidos da oposição criticaram a argumentação, considerando o PSD que as declarações tinham "carácter terceiro-mundista", a esquerda acusou o Governo de ter uma "modelo de desenvolvimento baseado nos baixos salários, mas a prática tem-no confirmado", entre outras qualificações.

Mais recentemente, o ministro da Economia de José Sócrates entrou numa polémica envolvendo Paulo Rangel, cabeça-de-lista do PSD às eleições europeias, e Basílio Horta, dizendo que Paulo Rangel tinha "de comer muita papa Maizena para chegar aos calcanhares do Dr. Basílio Horta".

As "gaffes" terminaram hoje em demissão, depois de Manuel Pinho ter, no Parlamento, colocado os dedos na cabeça em jeito de chifres.

O primeiro-ministro, no meio de um coro de protestos, considerou "injustificável" e pediu desculpas, mas aceitou o pedido de demissão.

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