Manuel Heitor: Evoluir para fazer crescer economia

Ministro da Ciências, tecnologia e Ensino Superior

Os anos de crise económica refletiram-se no número de estudantes de doutoramento?

A formação de doutorados está muito associada ao investimento em ciência. As bolsas atingiram o valor máximo em 2008/9, refletindo-se, quatro anos de formação depois, em 2014, nos doutoramentos. Em 2015 o número de doutoramentos já diminuiu, para 2350. Não temos ainda dados para 2016 mas julgo que o número será superior ou constante. E o número de estudantes voltou a aumentar em 2016, o que é um sinal de confiança.

Como é que podemos fazer as empresas apostarem mais nos doutorados?

Sejamos claros: em primeiro lugar temos de formar mais doutorados, porque ainda não são suficientes. Ainda nem conseguimos formar todo o corpo docente do Ensino Superior. Em algumas áreas já temos 100% mas nos politécnicos, no ensino universitário de Direito e de Medicina, ainda temos um défice de doutorados. O programa de estímulo ao emprego científico também tem a ver com o rejuvenescimento do corpo docente, que tem de estar claramente associado à formação de docentes.

Mas também precisamos de reforçar as empresas, para que estas sejam inovadoras...

A questão dos doutorados no tecido produtivo passa também pelas empresas que temos. Não precisamos de doutorados em áreas do tecido produtivo que não tenham atividades em áreas baseadas no conhecimento. Ter empresas que se baseiam no conhecimento é uma questão crítica para ter mais doutores. Temos de ajudar a economia a evoluir no sentido de ser uma economia baseada no conhecimento, porque é isso que traz valor económico.

Ainda há fuga de cérebros?

Continuamos a fornecer mais do que atraímos. Temos de reforçar a capacidade científica e de diversificar as fontes de financiamento. O regime do emprego científico também foi concebido para melhorar a capacidade de atrair para Portugal.

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