Manter navios da Marinha é "a prioridade absoluta" do Arsenal do Alfeite

Secretário de Estado da Defesa realça retoma das encomendas do Estado aos estaleiros do Alfeite após uma década de interrupção.

O secretário de Estado da Defesa disse esta terça-feira que o Arsenal do Alfeite (AA) "não deve perder de vista a prioridade absoluta de ligação e apoio à manutenção" dos navios da Marinha.

Marcos Perestrello intervinha na cerimónia de assinatura do contrato - entre os estaleiros, a Autoridade Marítima Nacional e a Marinha - para construção de duas lanchas salva-vidas da classe Vigilante II, uma versão modernizada do primeiro modelo fabricado há uma década pelo AA.

O governante realçou que o projeto abrange quatro embarcações mas as limitações orçamentais só permitem avançar nesta altura para a construção das primeiras duas - a financiar em partes iguais pelo ministério e pela Marinha, no valor de três milhões de euros.

Marcos Perestrello precisou ao DN que esse projeto de modernização é financiado com verbas próprias do ministério e do ramo, em vez de no quadro da Lei de Programação Militar (onde estão inscritos os programas de reequipamento das Forças Armadas).

"A cuidadosa gestão do orçamento de 2016 da Defesa tornou possível" também que, no final do ano passado, tenha sido possível transferir 10 milhões de euros para o AA, permitindo-lhe investir na ampliação das infraestruturas e modernização de equipamentos, disse o governante na sua intervenção.

"Há mais de 10 anos que o Estado não encomendava nenhuma construção nova ao AA" e este novo contrato "demonstra o empenho em garantir a ligação" entre os estaleiros e o ramo naval das Forças Armadas, destacou Marcos Perestrello.

"Este contrato corresponde à materialização de um projeto melhorado e mais eficiente que pretende responder a uma necessidade objetiva de reforço das capacidades de salvamento marítimo, socorro e assistência a pessoas e navios em perigo, com embarcações mais eficazes e seguras", garantiu ainda o secretário de Estado

O almirante Silva Ribeiro, chefe do Estado-Maior da Marinha, defendeu como "absolutamente indispensável ter as quatro" lanchas salva-vidas, mas reconheceu que esse é um objetivo a prazo e dependente de serem encontradas as respetivas verbas.

Para já, Silva Ribeiro disse que as duas embarcações - a primeira vai ser entregue em maio de 2018 e a segunda em dezembro do mesmo ano - vão ser colocadas ao serviço da capitania da Póvoa de Varzim e noutra dos Açores.

As novas lanchas salva-vidas, com capacidade para transportar quatro tripulantes e 12 náufragos sentados, vão incorporar as melhorias sugeridas pelos utilizadores das embarcações da primeira série Vigilante. "Foi tudo aproveitado", até porque os grupos de trabalho integraram pessoal das Estações Salva-Vidas que as operam, sublinhou Silva Ribeiro.

Além de uma rampa para embarque de uma mota de água e do bordo rebaixado para facilitar o resgate de náufragos, informou o almirante, o AA adiantou que as lanchas vão ter maiores índices de flutuabilidade, robustez, estabilidade e comportamento em mar agitado do que as Vigilantes construídas entre 2006 e 2008.

As duas novas lanchas vão permitir à Autoridade Marítima Nacional substituir as da classe Waveney, construídas também no AA e que já estão há quatro décadas ao serviço, referiu o almirante Silva Ribeiro.

Atualizada às 19:11, corrigindo nome das lanchas que vão ser substituídas (último parágrafo)

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