Mais vagas no ensino superior pela primeira vez em cinco anos

A 1.ª fase do concurso nacional de acesso, cujas candidaturas arrancam esta quinta feira, conta com um total de 50 688 vagas

Pela primeira vez, desde 2011, o concurso nacional de acesso ao ensino superior regista um aumento no número de vagas. As universidades e institutos politécnicos públicos oferecem 50 688 lugares dos quais 28 310 estão nas universidades e 22 378 nos politécnicos. A subida é pouco expressiva mas tem o significado de retomar um ciclo de crescimento que tinha sido interrompido nos últimos anos de austeridade, que se fizeram sentir também nas instituições do ensino superior.

No total, são mais 133 possibilidades para os alunos que as que existiam em 2015. Na 1.ª fase de acesso, cujas candidaturas arrancam já esta quarta-feira, existem ainda 660 ofertas colocadas através dos concursos locais.

VEJA AQUI A LISTA COMPLETA COM AS VAGAS EM CADA CURSO

Apesar de pequena, a diferença acaba por estar associada - como tem vindo a ser tradição nos últimos anos - a mais um significativo ajuste nas ofertas, já que este ano as universidades e politécnicos suprimiram suprimiram 959 lugares que tinham colocado a concurso em 2015 mas acabaram por abrir 1072 novos.

E em termos de mexidas na oferta, pode dizer-se que a Universidade de Lisboa é a protagonista desta 1.ª fase de acesso. A instituição reduziu o número de lugares em Direito, cortando 20 vagas em regime diurno e outras 20 em pós-laboral. passou assim a contar com, respetivamente, 460 e 100 lugares nestas duas variantes daquele que é, ainda assim, o curso com mais vagas de todo o país.

Suprimiu ainda cinco vagas do curso de Engenharia Civil (Instituto Superior Técnico). A oferta de Arquitetura passa a contar com um total de 192 lugares no regime diurno, mais 31 do que há um ano, sendo que neste caso trata-se de absorver a turma que existia em pós-laboral, oferta extinta.

Outros exemplos de ajustes à oferta são o corte de 10 lugares em Arquitetura nas Universidade da Beira Interior e de Évora, que passam a contar ambas com 55. Já o Politécnico de Lisboa suprimiu 20 lugares de Engenharia Civil, ficando com 55, uma medida também seguida neste curso, embora de forma mais modesta, pelos politécnicos de Leiria e de Setúbal, ambos com uma redução de cinco vagas para, respetivamente, 25 e 20.

Já o curso de Medicina não sofreu qualquer alteração no conjunto de universidades que o oferecem (onde se incluem a Madeira e os Açores, através de ciclos básicos). Persistem assim as 1517 vagas iniciais, um número que de resto se mantém constante há vários anos.

Os novos cursos

Nota ainda para as novas apostas das instituições, através de cursos que procuram ir ao encontro dos interesses dos candidatos e das áreas, em termos de mercado de trabalho, que universidades e politécnicos acreditam terem ainda carência de quadros superiores qualificados.

Uma categoria onde se encontram, entre outros, o curso de Natureza e Património, da Universidade dos Açores; Criminologia e Justiça Criminal, da Universidade do Minho - a área da Criminologia é cada vez mais popular entre os mais novos; Gestão da Bioindústria, do Politécnico de Coimbra; Engenharia Eletrotécnica Marítima, da Escola Náutica Infante D. Henrique ou ainda Osteopatia, do Politécnico do Porto.

Por grandes áreas, apesar do ajuste promovido por algumas instituições e da crise que tem abalado o setor nos últimos anos, a Engenharia e Técnicas Afins continua a dominar as ofertas, com um total de 9083 lugares (17,7% do total). Na lista das áreas mais pretendidas seguem-se as Ciências Empresariais, com 7557 vagas (14,7%) e a Saúde, com 6716 (13,1%).

Refira-se que, neste ano, são esperados mais candidatos ao ensino superior, uma vez que foram realizados 329 887 exames nacionais na 1.ª fase do secundário, totalizando 10 400 a mais em relação a 2015. Por outro lado, a quebra na média de matemática A, que baixou oito décimas, para 11,2 valores, pode afetar a candidatura a alguns cursos, nomeadamente às engenharias.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.