Mais de um milhão de alunos a caminho da escola

Mais de um milhão de alunos começa hoje a regressar às escolas da rede pública para um novo ano letivo, em 5.878 estabelecimentos de ensino.

As escolas iniciam as atividades letivas entre hoje e segunda-feira, mas a maioria opta por dedicar os primeiros dias ainda à organização interna ou a receber os pais e apresentar os projetos educativos

De acordo com dados estatísticos não consolidados, relativos a 2013/2014, havia 1.223.758 alunos na rede pública.

No âmbito do reordenamento da rede pública, haverá este ano menos 300 escolas do 1.º Ciclo, sendo os alunos transferidos para escolas mais recentes e distantes da residência, na maioria dos casos.

A GNR realiza, de hoje a segunda-feira, o período de abertura oficial do ano letivo, a operação "Regresso às aulas 2014/15", promovendo ações de sensibilização junto dos professores, alunos e encarregados de educação sobre segurança em ambiente escolar.

Há semelhança dos anos anteriores ainda há professores por colocar, pelo que o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados requereu ao Ministério da Educação que seja alargado até 15 de outubro o período para atribuir novos horários anuais aos docentes.

Na terça-feira, a Federação Nacional de Educação (FNE) defendeu como "muito positiva" a redução do número de professores sem turmas atribuídas no arranque do ano letivo, confirmada pela divulgação das listas de colocações divulgadas naquele dia.

Mas para a Federação Nacional de Professores (FENPROF) as listas de colocações agora divulgadas representam "um ato de vingança" do Ministério da Educação para com os contratados que não fizeram a prova de avaliação, ao excluírem quase oito mil docentes nestas condições.

Quase 6.750 professores foram colocados nas escolas esta semana, na maioria docentes dos quadros do Ministério da Educação, mas, ainda assim, o ano arranca com 917 docentes efetivos sem turmas atribuídas.

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Catarina Carvalho

Assunto poucochinho ou talvez não

Nos rankings das escolas que publicamos hoje há um número que chama especialmente a atenção: as raparigas são melhores do que os rapazes em 13 das 16 disciplinas avaliadas. Ou seja, não há nenhum problema com as raparigas. O que é um alívio - porque a avaliar pelo percurso de vida das mulheres portuguesas, poder-se-ia pensar que sim, elas têm um problema. Apenas 7% atingem lugares de topo, executivos. Apenas 12% estão em conselhos de administração de empresas cotadas em bolsa - o número cresce para uns míseros 14% em empresas do PSI20. Apenas 7,5% das presidências de câmara são mulheres.

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Adolfo Mesquita Nunes

Quando não podemos usar o argumento das trincheiras

A discussão pública das questões fraturantes (uso a expressão por comodidade; noutra oportunidade explicarei porque me parece equívoca) tende não só a ser apresentada como uma questão de progresso, como se de um lado estivesse o futuro e do outro o passado, mas também como uma questão de civilização, de ética, como se de um lado estivesse a razão e do outro a degenerescência, de tal forma que elas são analisadas quase em pacote, como se fosse inevitável ser a favor ou contra todas de uma vez. Nesse sentido, na discussão pública, elas aparecem como questões de fácil tomada de posição, por mais complexo que seja o assunto: em questões éticas, civilizacionais, quem pode ter dúvidas? Os termos dessa discussão vão ao ponto de se fazer juízos de valor sobre quem está do outro lado, ou sobre as pessoas com quem nos damos: como pode alguém dar-se com pessoas que não defendem aquilo, ou que estão contra isto? Isto vale para os dois lados e eu sou testemunha delas em várias ocasiões.