Pedidos de ajuda à APAV aumentam quase 20%

Em 2017, a associação identificou mais de nove mil vítimas, a grande maioria do sexo feminino. Por dia, 14 mulheres são vítimas de crimes, aponta o relatório

Associação de Apoio à Vítima (APAV) registou no ano passado um aumento de 19% no número de atendimentos, identificou 16 mil crimes de violência doméstica e mais de nove mil vítimas. Estes são alguns dados do relatório anual que a associação apresentou hoje. Os números demonstram que há cada vez mais pessoas a pedir ajuda.

No documento, a APAV identificou no ano passado 9.176 vítimas, das quais 3.918 queixavam-se de violência doméstica. "Estimamos que sejam entre 20 mil e 25 mil as vítimas diretas e indiretas", refere o o presidente da associação, João Lázaro, ao Jornal de Notícias.

Das mais de nove mil vítimas identificadas, 82,5% são mulheres, com uma média de 42 anos. Por dia, 14 mulheres são vítimas de crimes, aponta o documento. Vítimas que pediram ajuda à APAV para resolver situações "que refletem a prática de 21 mil crimes, 75,8% (16.033) dos quais relacionados com violência doméstica", refere o jornal.

Por tipo de crime, destacam-se os de violência sexual, nomeadamente o abuso sexual de crianças (175 crimes), o 'stalking'/perseguição (422) e o cibercrime (25)

De acordo com o relatório, no ano passado a APAV teve um aumento de 19% nos atendimentos, face ao período 2015/16. Em 2017, foram feitos mais de 40 mil atendimentos.

Por tipo de crime, destacam-se os de violência sexual, nomeadamente o abuso sexual de crianças (175 crimes), o 'stalking'/perseguição (422) e o cibercrime (25).

"Nas restantes dimensões criminais, os destaques vão para os crimes patrimoniais - o crime de dano com 212 registos (1%) -- e para as outras formas de violência -- 'bullying' com 113 casos (0,5%)", é indicado no relatório.

Segundo a APAV, a maioria das vítimas eram do sexo feminino (82,5%) e tinham idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos (38,9%).

Quanto ao estado civil, as vítimas eram sobretudo casadas (28,2%), solteiras (23,1%) enquanto 33,4% pertenciam a um tipo de família nuclear com filhos/as.

Em termos académicos e profissionais, o ensino superior apresentou-se como o grau de ensino mais referenciado (8,4%) e mais de 30% das vítimas encontravam-se profissionalmente ativas.

"Da análise efetuada aos dados da APAV é possível confirmar a existência de um número superior de autores de crime, face ao número de vítimas", é referido.

Assim, no ano passado, a APAV registou um total de 9.481 autores/as de crime, sendo que destes/as, mais de 80% eram do sexo masculino e tinham idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos (23,3%).

Os dados da APAV apontam para diferentes tipos vítimas: 944 pessoas idosas, com mais de 65 anos (em média três por dia e 18 por semana), 810 crianças e jovens (duas por dia e 16 por semana), 5.036 mulheres adultas (14 por dia e 97 por semana) e 775 homens adultos (duas por dia e 15 por semana)

Segundo os dados recolhidos, cerca de 30% eram casados e possuíam uma ocupação profissional (32,1%), sendo que o tipo de vitimação continuada foi o mais registado em 2017, representando 75% dos casos.

No que diz respeito ao local do crime, a residência comum foi a mais referenciada, seguida da residência da vítima e o lugar/via pública.

Os dados indicam também que em cerca de 46% das situações foi formalizada queixa /denúncia junto das entidades policiais.

Os dados da APAV apontam para diferentes tipos vítimas: 944 pessoas idosas, com mais de 65 anos (em média três por dia e 18 por semana), 810 crianças e jovens (duas por dia e 16 por semana), 5.036 mulheres adultas (14 por dia e 97 por semana) e 775 homens adultos (duas por dia e 15 por semana).

Os dados estatísticos dizem respeito aos processos de apoio desenvolvidos presencialmente, por telefone e 'online', no ano transato, pelos serviços de proximidade da APAV.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Legalização do lobbying

No dia 7 de junho foi aprovada, na Assembleia da República, a legalização do lobbying. Esta regulamentação possibilitará a participação dos cidadãos e das empresas nos processos de formação das decisões públicas, algo fundamental num Estado de direito democrático. Além dos efeitos práticos que terá o controlo desta atividade, a aprovação desta lei traz uma mensagem muito importante para a sociedade: a de que também a classe política está empenhada em aumentar a transparência e em restaurar a confiança dos cidadãos no poder político.