Mais de 600 crimes contra pessoas mais velhas

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) recebeu no ano passado mais de 600 denúncias de violência doméstica contra pessoas mais velhas, segundo o relatório hoje divulgado e que regista 37 casos de agressões contra os avós.

As agressões contra os pais representam 9,9% dos mais de seis mil casos acompanhados no ano passado pela APAV. A associação conheceu a história de 580 pessoas que eram vítimas dos próprios filhos. Mas também existem casos em que os agressores são os netos.

Em termos percentuais, os crimes contra os familiares mais velhos são residuais: no ano passado houve 35 histórias em que os avós foram vítimas, representando assim 0,5% do total, e 11 casos de crimes contra padrastos e madrastas (0,2%).

A APAV registou ainda 25 casos contra sogros.

No sentido inverso, a associação acompanhou 788 casos em que os pais eram os agressores e 11 histórias em que ser genro e nora era sinónimo de ser vítima, além de outros 15 processos em que a vitima eram os netos.

No entanto, a grande maioria das vítimas que chegam aos gabinetes da associação queixam-se dos companheiros, que são apontados como os principais agressores: no ano passado, a APAV recebeu queixas contra 2.420 cônjuges e 935 companheiros.

Dos 18 mil crimes registados no ano passado pela APAV, mais de 15 mil estavam associados com casos de violência doméstica. Em 2011, a APAV apoiou mais de oito mil vítimas e deu apoio a 11.784 processos. No total, "cerca de 23 mil pessoas foram apoiadas" no ano passado pela associação.

Os números hoje revelados apontam para um aumento em relação a 2010: os crimes aumentaram 8,8%, os processos de apoio cresceram 5,7% e as vitimas diretas dispararam, passando de 6.932 para 8.693.

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.