Luís Montenegro: "Temos um Governo que quer ser poder e oposição ao mesmo tempo"

Presidente do grupo parlamentar do PSD acusou o Partido Socialista e o Governo de "conviverem mal com aquilo que são os poderes independentes"

O presidente do grupo parlamentar do PSD na Assembleia da República, Luís Montenegro, acusou hoje, nos Açores, o executivo da República de querer "ser Governo e oposição ao mesmo tempo".

"Nós em Portugal temos um Governo que quer ser poder e oposição ao mesmo tempo, temos um Governo que é constituído pelo Partido Socialista, que é suportado politicamente pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP e que uns dias, quando é necessário tomar as principais decisões, estão todos juntos, nos outros dias, onde é necessário mostrar algumas diferenças e circunscrever a democracia a essas diferenças, fingem que são oposição", disse.

O líder parlamentar do PSD falava na abertura do 19.º Congresso da JSD-Açores que decorre até domingo em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, onde acusou o Partido Socialista e o Governo de "conviverem mal com aquilo que são os poderes independentes".

"Hoje o partido socialista e o Governo, o doutor António Costa e os seus acólitos Jerónimo e Catarina convivem mal com tudo aquilo que são os poderes independentes, é curioso que a democracia portuguesa esteja muitas vezes colocada neste desafio de avaliar os seus limites quando está no poder a esquerda e aqueles que tanto apregoam os princípios democráticos que devem nortear a ética politica ", disse.

Luís Montenegro referia-se às declarações de António Costa "a propósito das garantias de independência" e de "um deputado do partido socialista ter acenado com a necessidade de mudar as regras de funcionamento do conselho das finanças públicas", um órgão que lembrou ter sido proposto pelo PSD "para fiscalizar e contribuir para a transparência das gestão das contas públicas".

O social-democrata lembrou ainda que o seu partido "não abdica de ser oposição", quer na Assembleia Legislativa Regional dos Açores, quer na Assembleia da República, e que, por isso, tem como primeira linha " fiscalizar e escrutinar os que exercem o poder".

"Aquilo que se passa nos Açores é sintomático, esta sociedade depende demasiado dos órgãos públicos e não deixa respirar o empreendedorismo, a capacidade realizadora das pessoas aos mais variados nível", acusou Luís Montenegro.

Em ano de eleições autárquicas, o líder parlamentar do PSD salientou ainda que "as pessoas precisam" do seu partido para "salvar a democracia" e que é necessário "preparar o futuro" dos Açores e do país.

"Nós nos Açores merecemos e temos condições e capacidades para gerir muito mais do que as quatro câmaras que gerirmos, é pouco para ao PSD e temos de definir isso como nossa ambição. Nós merecemos construir uma alternativa política para podermos governar a Região Autónoma quando se realizarem as próximas eleições regionais e de contribuir para esclarecer motivar e mobilizar a sociedade para podermos mudar de Governo na República nas próximas eleições legislativas", destacou.

Luís Montenegro considerou ainda "estarmos a viver uma situação política muito particular" acusando o país de estar "anestesiado" recordando que "2016 foi o ano do desinvestimento nos serviços públicos".

O 19.º congresso regional, que decorre este fim de semana em Ponta Delgada, onde se vai debater a moção global de estratégia intitulada "Estamos Juntos pelos Açores", subscrita pelo único candidato à presidência da JSD-Açores, Flávio Soares, conta com a participação de 96 congressistas, 60 delegados eleitos diretamente sendo que 31 estão pela primeira vez no Congresso.

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Nuno Artur Silva

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