Lojas do Chiado fecham as portas à passagem do desfile

Algumas lojas da Rua do Carmo e do Chiado, em Lisboa decidiram fechar às portas, algumas delas protegidas com grades, na altura em que o desfile de protesto passou pelo local em direção à Assembleia da República.

Apesar do protesto ter feito um desvio junto ao Largo do Chiado as esplanadas do Chiado também decidiram fechar momentaneamente as portas, estandos as cadeiras e as mesas presas com cadeados.

Alheios a esta decisão não estarão os incidentes ocorridos na última greve geral, a 22 de março deste ano, onde houve confortos entre manifestantes e a polícia.

Entre as milhares de pessoas que hoje se manifestam em Lisboa, dia de greve geral no pais e em algumas cidades europeias, está o casal Carrichas, dois idosos reformados que mostravam um cartar onde se podia ler "este Coelho sabido que fala muito bem foi ficando sozinho só com o seu companheiro Relvas. 25 de abril sempre, governo para a rua".

Beatriz Carrichas disse à Agência Lusa que tem um filho que está desempregado e que é ela e o marido, que em conjunto recebem um reforma de 225 euros mês, que o sustentam.

"O que está a acontecer é uma vergonha. É o pior desde o tempo do Salazar", afirmou a reformada, indicando que esta é a terceira manifestação em que participa durante o governo de Passos Coelho.

A greve geral de hoje foi convocada pela CGTP em protesto contra o agravamento das políticas de austeridade e em defesa de políticas alternativas que favoreçam o crescimento económico.

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João Gobern

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