Lista não oficial de vítimas já enviada ao Ministério Público

Após o apelo de António Costa, empresária que compilou nomes enviou dados para as autoridades

A empresária que compilou os nomes das alegadas vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, tendo chegado a um número superior aos 64 indicados pelas autoridades, já fez chegar essa lista ao Ministério Público. Isabel Monteiro revelou à Rádio Renascença que o fez esta manhã.

A empresária afirmou à rádio que continua a ter 73 nomes, mesmo depois de ter confirmado os dados que tinha. "Não há possibilidade de repetição", diz, lembrando que não é a ela que lhe compete fazer este trabalho e que não lhe deve ser colocado o "ónus de ter que". Isabel Monteiro lembra que apenas iniciou este processo para fazer um memorial e que daqui em diante conta com a comunicação social e com as autoridades para avançar com o trabalho.

Durante o dia de ontem, tanto o Governo como o Ministério Público pediram a quem tivesse conhecimento de quaisquer factos relacionados com os incêndios de Pedrógão Grande que os fizessem chegar ao Ministério Público. O apelo surgiu na sequência das notícias publicadas na comunicação social que davam conta da possibilidade de o número de vítimas da tragédia ser superior aos 64 apontados pelas autoridades.

Na edição de ontem, o jornal I publicou uma lista com 73 nomes, elaborada por esta empresária, que o jornal dizia terem sido mortos confirmados da tragédia. Já no fim de semana, o jornal Expresso referia que o número final de mortos, divulgado pelas autoridades, excluía pelo menos um caso: de uma senhora que morreu atropelava quando fugia às chamas.

O Ministério Público anunciou a abertura de um inquérito para averiguar este caso em particular e solicitou que lhe fosse enviada qualquer informação sobre as mortes naquele incêndio. O primeiro-ministro, António Costa, fizera precisamente o mesmo. "Se alguém tem conhecimento de um maior número de vítimas deve, obviamente, comunicar imediatamente esse facto à Polícia Judiciária e ao Ministério Público", afirmou, referindo que "não é o Governo que constrói a estatística" e indicando que são as "autoridades técnicas" a fornecer os números.

O chefe de Governo alegou o segredo de justiça para não revelar os nomes que integram a lista oficial de vítimas.

Os autarcas de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos sugeriram hoje a divulgação da lista de vítimas do incêndio de junho para serenar as populações, enquanto o autarca de Pedrógão Grande apelou a que "os boateiros" sejam corridos.

O PSD deu 24 horas ao Governo para tornar pública a lista nominativa das pessoas que morreram.

Depois disso, o primeiro-ministro informou que contactou a procuradora-geral da República, que lhe "confirmou" que a lista de vítimas do incêndio de Pedrógão Grande está abrangida pelo segredo de justiça e que a sua divulgação depende do Ministério Público.

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