Lisboetas construíram 66 tronos em homenagem ao padroeiro Santo António

Associações, escolas e grupos desportivos de Lisboa aderiram ao projeto-piloto de recuperar a tradição de construir tronos de Santo António. Já há 66 construções

Segundo a presidente da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC) de Lisboa, Joana Gomes Cardoso, o desafio de recriar os tronos em honra ao padroeiro lisboeta, lançado no âmbito das Festas de Lisboa deste ano, teve "uma recetividade surpreendente", pelo que se pretende dar continuidade à iniciativa.

Durante o lançamento do livro "Tronos de Santo António", que compila as 66 construções do projeto e que decorreu hoje no Museu de Lisboa -- Santo António, a responsável da EGEAC explicou que "o objetivo era recuperar uma tradição antiga, valorizar a memória e com ela o cruzamento geracional - idealizamos esta iniciativa para ser algo para avós e netos fazerem em conjunto - e estimular a criatividade".

"Já fazemos há muitos anos com [o concurso] a sardinha", frisou Joana Gomes Cardoso, referindo que a ideia dos tronos pretendeu recriar "algo que fosse realmente popular".

Em parceria com o Museu de Lisboa -- Santo António, a EGEAC disponibilizou pequenas estruturas de madeira para a construção dos tronos, utilizadas por várias associações, escolas e grupos desportivos da cidade.

No Centro Comunitário da Madragoa, seis seniores ativas e três jovens trabalharam em conjunto, durante o mês de abril e maio, na construção de 12 tronos de Santo António.

"Foi uma feliz coincidência" a organização desta iniciativa dos tronos de Santo António, afirmou Quica Belo, uma das participantes do Centro Comunitário da Madragoa, explicando que já estavam a pensar recuperar esta tradição, mas as seniores "não estavam muito satisfeitas com as caixas de fruta" até surgir a oportunidade de construir em estruturas de madeira.

Na construção dos tronos, as seniores expiraram-se nas memórias de juventude, retratando as atividades profissionais que desempenharam ligadas à venda de peixe como varinas de Lisboa, e os jovens ilustram os tronos com imagens que caracterizam o bairro da Madragoa com "a roupa estendida, a venda da sardinha e as conversas de rua", disse Quica Belo.

Avó e neta, Deolinda Peres, de 72 anos, e Mariana Peres, de 22 anos, participaram na construção dos tronos de Santo António, no Centro Comunitário da Madragoa, experiência que incentivou o convívio entre gerações, através da partilha de ideias com "uma visão mais antiga e outra mais moderna", disse a sénior.

Durante as Festas de Lisboa deste ano, os 12 tronos de Santo António construídos no Centro Comunitário da Madragoa decoraram as vitrinas do comércio local, "desde a padaria, a cabeleireira, a mercearia e até um restaurante com estrelas Michelin", contou Quica Belo.

"Os turistas fotografavam e alguns queriam comprar os tronos. Foi um grande sucesso", afirmou.

A tradição dos tronos "teve origem no século XVIII quando, após o terramoto de 1755, a população e, principalmente, as crianças se empenharam na angariação de fundos para a reconstrução da igreja de Santo António", explicou o coordenador do Museu de Lisboa -- Santo António, Pedro Teotónio Pereira.

Presente no lançamento do livro "Tronos de Santo António", a vereadora da Cultura da Câmara de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, disse que "esta é uma iniciativa que veio para ficar", frisando que "é muito importante promover este lado da cultura popular".

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.