Ligação da Lagoa de Óbidos ao mar foi reaberta

Canal estava fechado desde sexta-feira devido ao assoreamento e à formação de bancos de areia, que impediam a passagem da água

O canal que liga a Lagoa de Óbidos ao mar foi reaberto esta quinta-feira na Foz do Arelho, numa intervenção das autarquias das Caldas da Rainha e Óbidos, para evitar a morte de peixes e bivalves.

"As marés permitiram hoje uma janela de oportunidade, aproveitada para fazer entrar água do mar na lagoa a partir das 10:00, e vai ser aproveitada a vazante, prevista para as 14:00, para que a força da água rasgue ainda mais o canal", disse à agência Lusa Humberto Marques, presidente da Câmara de Óbidos.

A intervenção, iniciada na segunda-feira pelas autarquias das Caldas da Rainha e de Óbidos, com supervisão da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), visava reabrir a 'aberta', canal que liga a Lagoa de Óbidos ao mar.

O canal, que permite a entrada de água do mar na lagoa e a subsistência de peixes e bivalves, encontrava-se fechado desde sexta-feira passada, devido ao assoreamento e à formação de bancos de areia que impediam a passagem da água.

Num esforço conjunto, as duas autarquias ribeirinhas mobilizaram para o local máquinas que, ao longo da semana, procederam à retirada de areia na praia da Foz do Arelho [concelho das Caldas da Rainha], de forma a "redefinir um novo local para a 'aberta', cerca de 40 metros a norte" do local assoreado, disse na altura à Lusa Humberto Marques.

A intervenção, que dependia das correntes e da altura das marés, vai ao longo do dia de hoje ser complementada "com a retirada de mais alguma areia nos locais em que isso se revelar necessário", e a nova aberta será "monitorizada até ao início da próxima semana, para garantir que os objetivos foram conseguidos", revelou o autarca.

A obra surgiu na sequência das preocupações manifestadas por duas dezenas e meia de mariscadores e pescadores da Lagoa de Óbidos no início de maio.

Os pescadores concentraram-se na Foz do Arelho, exigindo medidas urgentes para a reduzida ligação da lagoa ao mar, que alegavam estar a causar a morte do marisco.

A 'aberta' acabou por fechar totalmente alguns dias depois, o que levou à realização de uma reunião de emergência entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que tutela aquele ecossistema, as duas câmaras e as quatro freguesias ribeirinhas banhadas pela lagoa.

A APA "reconheceu a emergência da intervenção" e delegou nas duas Câmaras a retirada de areia suficiente para repor a ligação ao mar.

O fecho da aberta é uma situação recorrente na lagoa, onde no ano passado foi efetuada a primeira fase de um projeto de dragagens.

A primeira fase, que contemplava a retirada de 650 mil metros cúbicos de areia do leito da lagoa, terminou em fevereiro do ano passado.

A segunda fase de dragagens da Lagoa de Óbidos, visando a retirada de mais 750 metros cúbicos de areia, está prevista para arrancar em outubro deste ano, no âmbito de um concurso financiado pelo POSEUR - Programa Operacional de Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos - para as lagoas costeiras.

A Lagoa de Óbidos é o sistema lagunar costeiro mais extenso da costa portuguesa, com uma área total aproximada de 6,9km2 onde recorrentemente é necessário intervir para evitar o assoreamento.

Para evitar a morte de bivalves e garantir a continuidade daquele ecossistema foram efetuadas dragagens desde 1995, a maior das quais entre o final de 2011 e o início de 2012, período em que foram dragados dois milhões de metros cúbicos de areia.

O projeto de dragagens atualmente em curso previa, na primeira e na segunda fase, a dragagem de 1,5 milhões de metros cúbicos de areia, mas a APA admitiu nas reuniões da comissão que, no final das duas fases, o valor total seja superior.

Ler mais

Premium

João Gobern

Há pessoas estranhas. E depois há David Lynch

Ganha-se balanço para o livro - Espaço para Sonhar, coassinado por David Lynch e Kristine McKenna, ed. Elsinore - em nome das melhores recordações, como Blue Velvet (Veludo Azul) ou Mulholland Drive, como essa singular série de TV, com princípio e sempre sem fim, que é Twin Peaks. Ou até em função de "objetos" estranhos e ainda à procura de descodificação definitiva, como Eraserhead ou Inland Empire, manifestos da peculiaridade do cineasta e criador biografado. Um dos primeiros elogios que ganha corpo é de que este longo percurso, dividido entre o relato clássico construído sobretudo a partir de entrevistas a terceiros próximos e envolvidos, por um lado, e as memórias do próprio David Lynch, por outro, nunca se torna pesado, fastidioso ou redundante - algo que merece ser sublinhado se pensarmos que se trata de um volume de 700 páginas, que acompanha o "visado" desde a infância até aos dias de hoje.