Líderes intensificam apelo ao voto a uma semana das eleições

Costa quer que o PS saia "reforçado" das urnas. Catarina Martins pede mais votos e Assunção acredita em mais mandatos.

A uma semana da ida às urnas, os líderes intensificaram as incursões no terreno e o apelo ao voto. O secretário-geral do PS, que esteve uns dias arredado da campanha por afazeres como primeiro-ministro, entrou em força no fim de semana e ontem, em Beja, pediu que o seu partido saia "reforçado" nas autárquicas do próximo domingo.

Em terra liderada até agora pela CDU, António Costa justificou o apelo ao voto no PS com o ter um caminho mais facilitado na metade que falta da legislatura. Ou seja, o líder do PS quis dizer que ter mais força no poder autárquico reforça a força no poder central, ainda que o governo mantenha a dependência do apoio parlamentar do PCP e do BE. E também porque uma dinâmica de grande vitória nas eleições autárquicas dão, ainda que a uma distância de dois anos, um outro élan ao PS nas legislativas de 2019.

Costa foi muito claro. Lembrou que o PS é há quatro anos o maior partido autárquico , com mais câmaras e mais juntas, mas definiu como objetivo dos socialistas "não só defender as câmaras já ganhas ", mas sim "em cada freguesia e em cada município disputar a vitória eleitoral".

Num dos terreno onde costuma colher mais votos, a líder do BE também fez o apelo a um reforço nos resultados do seu partido. Num almoço da campanha de Ricardo Robles, em Lisboa - num almoço que juntou 400 pessoas - Catarina Martins traçou como meta para 1 de outubro "um salto" do Bloco. Um crescimento que com o qual pretende "mudar o mapa autárquico" com transparência, exigência e direitos das populações. "Queremos dar o salto nas autarquias. Queremos crescer, sim. Mas queremos sobretudo mudar o mapa autárquico", disse.

Onde "abundam maiorias absolutas, aparentemente eternas e incontestáveis", a líder do BE quer "construir alternativas à esquerda" e onde "domina autoritarismo, clientelismo e compadrio", os bloquistas pretendem "encontrar transparência, exigência e direitos das populações". Foram declarações como estas sobre as maiorias absolutas que levaram o secretário-geral do PCP a defender os autarcas da CDU, já que há vários municípios onde a coligação com os Verdes onde existem essas tais maiorias.

Contudo, ontem, Catarina Martins apontou um exemplo que não melindra o PCP, mas antes o PS. Em Lisboa, a maioria absoluta do PS, segundo Catarina Martins, "não deu nada à cidade", criticando "o poder absoluto" do socialista Fernando Medina e recordando que "muitas das escolhas mais erradas e mais gritantes teriam passado incólumes se não tivesse havido um deputado municipal" como Ricardo Robles a denunciá-las.

Também em Lisboa, onde é candidata à Câmara, a líder centrista aproveitou a parada de automóveis antigos, na Avenida da Liberdade, para se mostrar confiante com o resultado que o CDS irá obter nestas eleições.

Assunção Cristas fez um paralelo entre a velha imagem do CDS partido do táxi - quando o partido só conseguiu eleger quatro deputados ao Parlamento durante a primeira maioria de Cavaco Silva (em 1991 passou de 4 para 5) - com as cinco câmaras que o partido conseguiu ganhar nas autárquicas de 2013. "Eu vi ali um [carro] maiorzinho, mas mesmo assim acho que já não vai chegar para nós. Vamos trabalhar para crescer em mandatos, em vereadores, em deputados municipais, talvez em câmaras, vamos ver. Vamos ver o que nos espera o dia 1, mas estamos animados", afirmou a presidente centrista, que tem evitado determinar objetivos nacionais e também para a sua candidatura em Lisboa.

O líder do PSD é que rapidamente respondeu ao apelo de António Costa, rejeitando a ideia de que os socialistas precisam de mais votos.

Sobre o facto do líder do PS ter justificado essa necessidade reforço com a boa prestação do governo nos próximos dois anos, Passos sublinhou que não é isso que está em causa no próximo domingo. "Para que os próximos dois anos valham a pena para Portugal, o PS não precisa de ter mais votos nas câmaras, o Governo é que precisa de mostrar que quer fazer qualquer coisa", defendeu Pedro Passos Coelho, num comício de apoio ao candidato autárquico do PSD em Espinho (distrito de Aveiro), Pinto Moreira.

Jerónimo de Sousa andou por Caneças a lembrar a "violência da lei das rendas" do anterior governo de coligação, da responsabilidade da presidente do CDS, e defendeu o direito constitucional à habitação condigna.

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