Liderança do CDS: A dúvida que Cristas não conseguiu esclarecer

Ex-ministra tirou o dia para responder a perguntas dos alunos. Só não responde se vai ser ou não candidata à liderança do partido

"Há um tempo para tudo. E este ainda não é o momento de falar sobre isso". Assunção Cristas respondeu assim, entre sorrisos, à pergunta que o DN lhe fez, ontem à tardem numa escola de Pombal: se já tinha visitado várias vezes a cidade enquanto ministra, antes e depois como deputada, faltava voltar no futuro como presidente do seu partido? A antiga governante não diz que sim nem que não, apenas remete para mais tarde essa decisão.

Na visita à escola Marquês de Pombal, a deputada eleita por Leiria fez-se acompanhar das estruturas locais do partido, que puderam testemunhar o empenho e as dúvidas dos pequenos candidatos a deputados. E apesar do tema principal ser em torno de "racismo/preconceito/discriminação", a verdade é que os alunos (entre o 5º e o 9º ano) quiseram saber muito para além do que pensa Assunção Cristas sobre essa matéria.

Sempre de pé, em frente à plateia, Assunção Cristas pediu um marcador para escrever no quadro e encarregou-se de dar uma verdadeira aula sobre o funcionamento da política e da Assembleia da República. Mal se apresentara e já um dos miúdos lhe fazia uma pergunta do foro interno do partido: "O CDS já tem um novo presidente?". A deputada sorri e explica, em detalhe, que o partido continua a ter um presidente, que é Paulo Portas, mas que "está há muitos anos na direção do partido - 16 anos, ou seja, 18, com um intervalo de dois - e agora achou que estava na hora de eleger outra pessoa. Será em março, num congresso que vai haver para o efeito".

Esclarecida a dúvida, outro aluno quer saber "como é que se entra no parlamento". Assunção explica o processo eleitoral, desde a constituição das listas até à formação dos grupos parlamentares e das comissões na Assembleia da República.

Na assistência, o pequeno Alexandre quer saber "de que maneira é que o PAN poderá ter sucesso se é só um deputado". "Isso é o que nós vamos ver", sugere a antiga ministra, que fala do Partido dos Animais e logo o miúdo lhe acrescenta a Natureza. Dali a discussão há de saltar muitos degraus, sem perder de vistas o que fazem os deputados no parlamento.

O tema dos refugiados dominará por completo a segunda metade daquela hora de conversa. Os alunos querem saber se não lhe parece perigoso Portugal acolhê-los e colocar-se ao lados dos países que combatem o Estado Islâmico; se não acha possível que venham a fechar fronteiras, se o que aconteceu na Alemanha se prende com as más condições dos campos onde vivem. Assunção Cristas mostra-se favorável ao acolhimento, salvaguardando, no entanto, alguma cautela. "Temos que estar organizados, dar apoio a essas pessoas que fogem da guerra e vêm em sofrimento, mas percebendo também se não vêm infiltrados com outras intenções".

Na escola Marquês de Pombal há cinco listas candidatas à sessão do Parlamento dos Jovens. A campanha vai decorrer nos próximos dias, com vista a eleger os candidatos a deputados que, com sorte, disputarão a sessão distrital. Assunção Cristas deixou uma lição de como funciona o parlamento e também uma mensagem aos mais pequenos: "ser político é uma função muito nobre, apesar de serem [os políticos] tantas vezes mal visto". Por seu lado, não tem de que se queixar - acabou a sessão a dar autógrafos aos alunos.

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Anselmo Borges

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