Líder socialista faz mudanças na direção e Assis vai para a estrada

Costa coloca Galamba como responsável pela comunicação do PS. Já o eurodeputado reúne "corrente crítica e alternativa"

Com a demissão de Sérgio Sousa Pinto do Secretariado Nacional do PS - em rutura com a aproximação de António Costa à esquerda - o secretário-geral do PS mexeu nos pelouros da sua direção. João Galamba passou a ser o novo responsável pela comunicação, para o lugar de Porfírio Silva, que assumiu a coordenação das relações internacionais, até aqui garantida por Sousa Pinto.

Esta dança interna de cadeiras entre os dois deputados, revelada no jornal do partido Ação Socialista, coincide com o lançamento por Francisco Assis de uma "corrente interna crítica e alternativa", assumida ontem nas páginas do Expresso.

Para já, esta ida para a estrada concretiza-se "no final da próxima semana", na sexta-feira ou no sábado, e o eurodeputado socialista conta reunir-se com militantes que discordam do rumo seguido, "algures no centro do país", num almoço ou jantar, apurou o DN. Ao Expresso, Assis antecipou que, com esta iniciativa, "ficará então claro que há uma corrente interna crítica e alternativa" no PS.

O deputado ao Parlamento Europeu tem criticado duramente a possibilidade de acordo para uma governação à esquerda entre socialistas, bloquistas e comunistas, apeando o governo de Passos Coelho empossado na sexta-feira. "Todos os socialistas, mesmo os que discordam [de mim], podem contar comigo para tudo no PS", apontou há duas semanas numa entrevista à RTP, antevendo ter a seu lado quem, entre os socialistas, tem criticado esta opção de governo à esquerda, como Álvaro Beleza, que esteve com António José Seguro na anterior liderança.

Quem não conta com Assis, a avaliar pelo que escreveu ontem na sua página do Facebook, é Mário Ruivo, antigo presidente da distrital do PS de Coimbra, que apoiou António Costa nas eleições primárias no ano passado. Este ex-deputado socialista, que disse "considerar" Francisco Assis, notou que, ao ler a notícia, ficou "a pensar se estava perante a sua instrumentalização" ou "algum equívoco do Expresso" ou se seria "desconhecimento do partido a que pertence" da parte de quem foi .

Ruivo notou que "Assis tem todo o direito de ser o que quiser no partido, bem como ao seu livre pensamento", para depois apontar que se o eurodeputado "queria ser alternativa tinha assumido essa posição no dia 4 de outubro e não depois de Cavaco Silva e a coligação de direita [terem] apelado à divisão do PS".

Este membro da comissão nacional do PS rematou a sua observação dizendo que se Francisco Assis "vai andar pelo país, pode ser que entenda que o PS está, inequivocamente, com António Costa. Nunca é tarde para se conhecer o partido", atirou Ruivo.

Neste ponto, há quem prefira ouvir os militantes socialistas sobre um eventual acordo à esquerda. Vítor Ramalho já o defendeu nas páginas do DN e nas duas reuniões da comissão política socialista. Segundo este dirigente, se o PS, "que não ganhou as eleições, vier a liderar um governo apoiado pelo PCP e pelo BE significará uma alteração profunda do compromisso do partido, sendo por isso necessária esta consulta referendária, destinada não apenas a militantes, mas aberta também a simpatizantes". O mesmo tem dito Álvaro Beleza. Já António Costa não disse até agora como validará esse acordo junto do partido.

Exclusivos