Nunes Liberato vai assessorar Fundação Champalimaud

Ex-chefe da Casa Civil de Cavaco começou "há dias" e já agendou encontros com governantes e outros representantes europeus

Os dez anos que passou como chefe da Casa Civil de Cavaco Silva podem ter influenciado a opção pelo seu nome, mas José Manuel Nunes Liberato acredita que foi a sua "experiência europeia" que mais pesou na escolha para assessorar a Fundação Champalimaud. Com 65 anos feitos há 15 dias, o economista que desempenhava funções de porta-voz do Parlamento Europeu quando foi chamado a Belém, em 2006, confirmou ao DN que está agora a trabalhar na instituição liderada por Leonor Beleza.

"Fui convidado e aceitei ser assessor da Fundação Champalimaud, lugar que assumi há alguns dias", disse, sem querer adiantar se irá a exercer essas funções em exclusivo ou quanto irá receber.

Explicou porém que o seu trabalho passará quer pelo aconselhamento interno quer pelo estabelecimento de contactos internacionais que possam ser relevantes para a instituição que faz investigação em áreas de ponta nomeadamente nas áreas das neurociências e do cancro. "Tenho agendados, por exemplo, encontros com membros de governos e instituições europeias de relevo", adiantou Nunes Liberato, que resume as suas funções a "tudo o que possa fazer para trazer melhores resultados para a Fundação Champalimaud".

Muito próximo do anterior presidente da República, Cavaco Silva, de quem foi secretário de Estado da Administração e Ordenamento do Território - e de quem recebeu a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, no final do mandato presidencial (já fora distinguido por Mário Soares, como Grande Oficial da Ordem de Mérito, pelo seu trabalho na adesão de Portugal à então CEE) -, foi deputado e fez um percurso no PSD, em que chegou a assumir o cargo de secretário-geral. Mas foi na Europa, onde chegou em 1996 como diretor das Políticas Comuns do Parlamento Europeu - com as pastas da Agricultura, Pescas, Política Regional, Turismo, Emprego, Segurança Social e Cultura -, após vencer um concurso público internacional, que Nunes Liberato mais se destacou.

É esse percurso que o economista destaca como base para o maior contributo que poderá dar à Fundação Champalimaud. A "experiência europeia" que Nunes Liberato sublinha passa por uma década de trabalho em Bruxelas e Estrasburgo, durante a qual teve nas mãos as Relações Externas e as comissões de Negócios Estrangeiros e Desenvolvimento, bem como a cooperação euromediterrânica, tendo ainda sido responsável pela coordenação do dossiê Agenda 2000, antes de ser escolhido para porta-voz e diretor para os media do Parlamento Europeu.

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