"Juntos seremos imbatíveis". Um presidente feliz no México

No primeiro dia da visita oficial, Marcelo Rebelo de Sousa e o seu homólogo trocaram elogios. E não faltaram as selfies e os afetos

Foi um presidente feliz aquele que começou o programa oficial no México, com uma visita à nova sede da Mota Engil, a empresa portuguesa que mais investe no país. Feliz por começar o dia num ambiente de trabalho, em vez de numa ação de protocolo, na empresa que apostou no México há dez anos, com um volume de negócios superior aos dois mil milhões de euros. Fazendo referência a Paulo Portas, o "antigo político que gosta muito do México", agora consultor da Mota Engil para a América Latina , o presidente da república lembrou que "somos os melhores do mundo" a criar plataformas entre continentes, mares, culturas e civilizações.

"Portugal já é imbatível", mas com o México, "juntos seremos imbatíveis", salientou o chefe de Estado, que voltou a convidar o presidente Enrique Peña Nieto a visitar Portugal, porque "nunca é demais convidar os amigos".

Numa operação de charme, no Palácio Nacional, onde os imponentes murais de Diego Rivera não fizeram sombra a uma praça engalanada com gigantescas bandeiras de Portugal e do México, os dois chefes de Estado trocaram elogios. Marcelo Rebelo de Sousa falou num "desenvolvimento sem paralelo" no plano económico e financeiro, no qual Peña Nieto teve um papel determinante. A história fará justiça ao presidente "tão jovem", com "visão e determinação", que projeta o "futuro à escala universal", afirmou o presidente português, enquanto Peña Nieto lembrou que o México é já o segundo maior parceiro comercial dos portugueses na América latina (depois do Brasil).

As exportações portuguesas cresceram 15% no ano passado, com uma média anual de 200 milhões de euros desde 2012. Cerca de dois mil portugueses estão registados no México, mas a embaixada estima que vivam no país cerca de 2500 cidadãos nacionais.

Numa visita dominada pelo reforço das relações económicas entre os dois países, Marcelo Rebelo de Sousa tem aliás repetido a ideia de que o México é uma potência, mas enquanto se celebra o "caminho feito" é preciso pensar num novo ciclo, com novos desafios, que respeitam princípios básicos como os direitos humanos, a justiça social, contra o protecionismo e as "barreiras humanas e económicas". Nenhum dos políticos referiu o prometido muro de Donald Trump, mas a ameaça está omnipresente. Foi de resto, o diretor comercial do Futebol Clube do Porto, Luís Gonçalves, que elogiou o chefe de Estado português, afirmando que "a grande vantagem de Marcelo é fazer esquecer os muros de Trump, por ser um presidente que cria pontes.

A equipa portista está a fazer um estágio no México e por coincidência, esteve alojada no hotel ao lado do de Marcelo, que teve o primeiro encontro com os populares na rua, precisamente à porta do hotel dos dragões. Um grupo de jovens com camisolas de futebol concentrou-se para saudar o FCPorto, que conta com quatro jogadores mexicanos neste estágio, mas o jogador mais desejado era Iker Casillas. Foi o guarda-redes espanhol que bateu Marcelo na popularidade entre os jovens adeptos, embora o presidente dos afetos continue a fugir ao protocolo, com passeios na rua e sempre disponível para as selfies e troca de beijinhos.

Das mãos dos dirigentes portistas, o presidente da república recebeu uma camisola azul e branca e leva também mais peso na bagagem, com duas garrafas especiais de vinho mexicano, mas com "alma portuguesa", oferta de Maria da Silva, fundadora e diretora do restaurante Casa Portuguesa, onde o chefe de Estado prometeu voltar, pela comida e também pelos "olhos bonitos" de Maria.

Esta luso-descendente é bem o exemplo de uma empresária integrada e com olho para o negócio. Nascida no México, filha de pai português, experimentou fazer o "Abril em Portugal", uma "ementa pequeñita, com cinco pratos portugueses", no mês da revolução. Foi assim que nasceu, há 20 anos, a Casa Portuguesa, onde não falta o bacalhau, a francesinha, o cabrito no forno ou o pastel de nata. Maria recorda que se naquele tempo ninguém conhecia Portugal, hoje "alguma coisa forte está a acontecer". "Vai suceder alguma coisinha muita interessante", afirma com sotaque suave. Sendo assim, pergunta Marcelo, "como não voltar?".

Enviada especial DN/TSF

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