Jovem português aterrorizado com 'couchsurfing'

Pedir estadia num sofá emprestado a um estrangeiro num país estranho tornou-se um fenómeno em todo o mundo, mas para um jovem português que esteve em Nova Iorque foi a experiência "mais aterradora" que já viveu.

Miguel (nome fictício) tem 24 anos, é de Lisboa e arrepende-se até hoje de ter recorrido à comunidade 'couchsurfing' para passar duas noites num sofá emprestado em Nova Iorque, em Dezembro de 2008.

A funcionar na Internet, a comunidade 'couchsurfing' põe em contacto viajantes, que só pedem um sofá para poupar dinheiro nas dormidas, e anfitriões dispostos a abrir as portas das suas casas a custo zero para conhecer novas pessoas.

O jovem aventureiro contou à Lusa a experiência "mais aterradora e desesperadora" que viveu nos Estados Unidos da América em casa de uma mulher, de 32 anos, que o acolheu como se fossem familiares no dia em que chegou a Queens, Nova Iorque.

"Inicialmente foi muito acolhedora e prestável, até demais", disse o animador turístico, que encontrou a sua anfitriã no site www.couchsurfing.org, onde já se inscreveram mais de um milhão de pessoas de centenas de países.

Ao contrário da primeira, a segunda noite não correu muito bem, porque, segundo contou Miguel, depois de um jantar organizado pela dona da casa, onde estiveram presentes alguns amigos dela, começou a sentir-se "estranho".

Uma conversa entre os presentes e a sorte de ser português e, por isso, perceber espanhol, permitiu compreender o "destino" que lhe estava traçado.

"A dona da casa começou a falar em espanhol com o amigo, pensando que eu não iria perceber, mas felizmente percebi o essencial. Senti-me estranho depois do jantar porque fui drogado pela bebida e pelo prato de massa", contou.

A questão "quantas gramas de cocaína utilizaste?" aterrorizou o jovem, que se dirigiu de imediato à casa de banho, sem saber bem como sair dali.

O verdadeiro objectivo seria drogá-lo e violá-lo, segundo compreendeu com a continuação da conversa.

No fim da noite, Miguel conseguiu sair de casa sem que os presentes se apercebessem e só voltou para recuperar a sua bagagem quando se certificou que a sua anfitriã estava sozinha.

No site da comunidade 'couchsurfing' estão perfis publicados, comentários sobre as estadias e há pessoas com permissão para eliminar utilizadores, com base em referências negativas.

Miguel entrou nesta comunidade por influência do amigo André Maduro, 24 anos, que já dormiu em sofás emprestados por espanhóis, em Salamanca e Ibiza, e por italianos, em Florença e Padua, onde diz ter vivido "óptimas" experiências.

Apesar de reconhecer o "azar" do seu amigo, André afirmou à Lusa continuar "confiante" mas agora "apreensivo" em relação ao 'couchsurfing'.

"O risco existe sempre, mas ainda acredito que existem boas pessoas neste mundo", disse André Maduro.

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