José Eduardo Martins ia perfilar-se para a câmara de Lisboa

Antigo vice da bancada do PSD convicto de que adversários nas estruturas da capital se mobilizaram para o impedir de falar.

Metade da intervenção que José Eduardo Martins tinha escrito para o congresso era sobre a necessidade do partido preparar a longo prazo as candidaturas autárquicas, em particular a de Lisboa, onde o PSD teve um péssimo resultado nas últimas eleições. A intervenção sinalizava, indiretamente, que equaciona protagonizar uma candidatura à câmara da capital, depois de ter sido cabeça de lista à Assembleia Municipal nas autárquicas de 2017.

Mas o antigo vice-presidente da bancada do PSD não chegou a falar no Centro de Congressos de Lisboa. Participante - pois não concorreu como delegado -, José Eduardo Martins auscultou o secretário-geral cessante sobre a possibilidade de discursar e José Matos Rosa terá aberto essa "exceção". Mas acabou por ser confrontado com a "irregularidade" da situação por um órgão de comunicação social e desistiu.

Mas o DN sabe que José Eduardo Martins está convicto que foram companheiros de partido e das estruturas de Lisboa, os que levaram à sua saída da Assembleia Municipal de Lisboa, que se mobilizaram para o impedir de discursar. O ex-candidato, após ter encabeçado a lista àquele órgão autárquico, esperava ser líder da bancada no município. Mas quem acabou por ser eleito foi Luís Newton, presidente da junta de freguesia da Estrela. José Eduardo Martins acusou a comissão política distrital, liderada por Pedro Pinto, de ter promovido uma lista surpresa para impedir a sua eleição.

Agora está convencido que são as mesmas figuras que tentam travar já qualquer hipótese de se candidatar à Câmara nas próximas eleições.

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