Jornal da Madeira quer despedir 20 funcionários

Reestruturação no Jornal da Madeira pode levar ao despedimento de 20 profissionais. Em setembro o jornal passará a ser pago.

A Empresa Jornal da Madeira (EJM) confirmou esta terça-feira ter iniciado um processo de "redimensionamento da sua estrutura de pessoal", que pode levar ao despedimento de 20 profissionais de diversas áreas.

Em informação à agência Lusa, o conselho de gerência da EJM confirmou "ter já iniciado um processo de redimensionamento da sua estrutura de pessoal, sendo que pelo respeito e consideração que nutre pelos seus dedicados profissionais, o pretende desenvolver num espírito de diálogo, cooperação mútua e cumprimento escrupuloso de todos os preceitos legais".

O processo de reestruturação foi desencadeado pelo Governo Regional, através da Secretaria dos Assuntos Parlamentares, que tutela a comunicação social, e passa pela redução de 20 funcionários, de um total de 55.

O Governo da Madeira assume o passivo da empresa - de que é o principal acionista - na ordem dos 52 milhões de euros, e termina a distribuição gratuita do matutino, que vai passar a ser pago.

O conselho de gerência da EJM acrescentou que se encontra "neste momento num processo de reestruturação e recuperação, tendo em vista a busca do reequilíbrio da sua, cronicamente deficitária, estrutura operacional e subsequente colocação do seu capital junto do sector privado", tratando-se de um "processo transversal a todas as áreas da empresa".

João Carlos Silva, do Sindicato de Jornalistas, confirmou a informação da empresa, mas não confirmou o número de jornalistas que poderão estar de saída, admitindo "que possam ser entre seis a oito profissionais que irão ser abrangidos".

O jornalista admitiu, ainda, que "caso não haja acordo entre as partes", num futuro próximo, possa existir um processo de despedimento e adiantou que, "oito meses depois de terem saído 11 profissionais, também por mútuo acordo", olha para o processo de reestruturação da empresa Jornal da Madeira com alguma preocupação.

"As pessoas começam a ficar desmotivadas, tendo em conta esta pressão que existe para emagrecer, de qualquer forma, a empresa", afirmou.

A EJM registou um resultado líquido negativo de 3,088 milhões de euros no exercício de 2014.

O Jornal da Madeira, cujo capital social é detido em 99,98% pelo Governo Regional da Madeira, sendo o restante da Diocese do Funchal.

O esforço do Orçamento Regional com esta publicação diária vai ser reduzido em 2016, passando de 2,6 para 1,1 milhões de euros.

Segundo o site Funchal Noticias as mudanças no Jornal da Madeira extendem-se até setembro e passam também pela alteração de preço, passará a ter um custo de 0,70 cêntimos, que até aqui era gratuito.

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