PCP abstém-se na "condenação da perseguição" de LGBT na Chechénia

Bloco propôs voto contra campo de concentração para homossexuais na região integrada na Rússia. Comunistas dizem que factos não foram confirmados

O PCP absteve-se num voto de "condenação da perseguição da população LGBT" [lésbicas, gays, bissexuais e transexuais], como propôs a bancada do BE. Segundo os bloquistas, "foi noticiado, em vários órgãos de comunicação social internacional, que o Governo da República da Chechénia, região autónoma integrada na Federação Russa, terá aberto um campo de concentração para população LGBT".

Este voto de condenação foi aprovado por todas as bancadas, com a abstenção dos comunistas. Numa declaração de voto do grupo parlamentar do PCP, apresentada logo após a votação, lê-se que "não tendo sido possível confirmar os factos invocados", a bancada comunista "não pode acompanhar a iniciativa que se funda, como o próprio texto assinala, no que "foi noticiado, em vários órgãos de comunicação social internacional"."

Depois de conhecidas as notícias sobre esse campo, o Governo russo de Vladimir Putin notou que as informações "não se confirmam", falando mesmo em "queixas de fantasmas".

Para o BE, "segundo relatos de vítimas e denúncias de grupos russos de defesa dos direitos humanos, dezenas de homossexuais foram detidos e mantidos em cativeiro num antigo quartel militar na cidade chechena de Argun, onde são torturados por espancamento e com recurso a choques elétricos" e que "até à data, foram registadas três mortes".

Na referida declaração, assinada pela deputada Carla Cruz, "o grupo parlamentar do PCP começa por reafirmar a sua defesa intransigente de todas as liberdades, condenando as medidas que atentem contra os direitos, liberdades e garantias e todas as formas de discriminação, incluindo em função da orientação sexual".

Logo após a votação, ouviu-se no plenário, sem ser possível identificar o autor do aparte parlamentar, que "não há gays no PCP".

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