Israel: Decisão dos EUA "não vai no bom caminho"

Eduardo Cabrita criticou, esta quinta-feira, o reconhecimento de Jerusalém como capital, uma vez que não acata o "princípio assumido pelas Nações Unidas" de dois estados na região

Para o ministro da Administração Interna português reconhecer Jerusalém como capital do Estado de Israel é "manifestamente uma decisão que não vai no bom caminho".

"A decisão de ontem (quarta-feira) dos Estados Unidos é uma decisão que não contribui para o caminho no sentido daquilo que é o princípio assumido pelas Nações Unidas, pela União Europeia e por Portugal de defesa de dois Estados, Israel e Palestina, como dois Estados na região", declarou, citado pela Lusa.

Eduardo Cabrita falava à margem de uma reunião dos ministros dos Assuntos Internos da União Europeia, na qual um dos temas em agenda foi a partilha de informação em matéria de prevenção do terrorismo, com uma discussão "centrada na necessidade de prevenir, remover e controlar a utilização de Internet para a propagação de mensagem de promoção de atividades terroristas", que "contou com as maiores empresas do setor", apontou.

Questionado se a decisão da administração norte-americana pode contribuir para um aumento da atividade terrorista, o ministro disse que não vale a pena "especular sobre riscos", reiterou que "manifestamente a decisão não vai no bom caminho", mas sublinhou que "a Europa tem sobre esta matéria uma posição comum".

Já sobre as implicações que a decisão dos Estados Unidos pode ter para a segurança interna na UE, disse que "não foi discutida essa matéria", pois "não há nenhum sinal que justifique uma preocupação adicional".

A chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, já tinha comentado a questão, deslocando-se à sala de imprensa da Comissão Europeia, para afirmar que a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital israelita, pode levar a "tempos ainda mais sombrios".

"O anúncio do Presidente Trump sobre Jerusalém tem um impacto potencial muito preocupante", acrescentou, sublinhando que o contexto da região "é muito frágil".

Esta quinta-feira, a Assembleia da República aprovou, com votos favoráveis de todos os partidos, um voto apresentado por BE, PS e PAN que "condena o reconhecimento de Jerusalém como capital do Estado de Israel pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump".

O documento foi aprovado por PSD, PS, PCP, BE, PEV, PAN e teve também votos a favor do CDS-PP, incluindo da sua presidente, Assunção Cristas, mas a bancada centrista dividiu-se nesta matéria, com cinco deputados a absterem-se e dois a votarem contra. Também o socialista João Soares se absteve.

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