Jerónimo: "o que conseguimos mostra que estamos no caminho certo"

Num auditório a rebentar pelas costuras com mais de mil apoiantes, em Almada, Jerónimo Sousa e Edgar Silva apelaram a uma "mobilização" intensa

As oitocentas e trinta cadeiras da sala da Academia Almadense não chegaram para as centenas de apoiantes que quiseram ir ouvir os dois rostos mais conhecidos atualmente do "coletivo" comunista. O secretário-geral e o candidato presidencial corresponderam às expectativas e os seus discursos interrompidos várias vezes por ruidosos aplausos e palavras de ordem. A dois dias do final da campanha e com as sondagens a continuarem a dar Marcelo Rebelo de Sousa como vitorioso à primeira volta, Jerónimo Sousa e Edgar Silva centraram os seus discursos no ataque ao candidato "recomendado" pelo PSD e CDS e no apelo à mobilização e conquista de votos.

"Podem vir com sondagens do costume, mas quem cresce não é a sua candidatura mas a de Edgar Silva", assinalou Jerónimo. "Temos ainda muito caminho pela frente. Este combate é uma tarefa de todos nós, vamos ter com os indecisos, com os desiludidos e enganados pela direita, dizer-lhes que os candidatos não são todos iguais. A grande batalha é impedir que o candidato da direita não tenha maioria absoluta na primeira volta", frisou.

O secretário-geral fez um balanço do que, "com a intervenção do PCP" na atual solução do governo apoiado pela maioria de esquerda, "já foi conquistado" em matéria de "reposição de rendimentos e reconquista de direitos dos trabalhadores", considerando que "estamos no caminho certo". Algumas medidas, reconheceu, "tiveram ainda um alcance limitado, como o escasso aumento das pensões, a devolução limitada da sobretaxa, ou o aumento do salário mínimo que ainda ficou abaixo do que queria o PCP. Mas estamos a dar passos na direção certa. É um caminho que diz que vale a pena continuar a luta pelo nosso povo e revela o quanto é importante o afastamento definitivo do PSD e do CDS do poder e dar uma grande vitória ao povo português".

Porém, salientou, "é um caminho que não pode ser travado no próximo domingo" que seria o significado de uma vitória de Marcelo. "Independente? Distante? Só se foi em relação à exploração e ao sofrimento dos trabalhadores nestes últimos anos", disse sobre Marcelo Rebelo de Sousa. "Foi tudo e um par de botas no PSD", lembrou, atacando a sua atitude de "falso árbitro". "Nós não precisamos de árbitros para a Constituição. Precisamos de quem a defenda e cumpra", declarou.

Recordou o comício do passado domingo, no centro de congressos em Lisboa, "com mais de seis mil pessoas" a mostrar "a quem tivesse dúvidas, a força da mobilização da candidatura de Edgar Silva, percebeu que aqui há gente que não desiste de lutar, que estaremos a trabalhar até ao último minuto e que esta candidatura vai até onde os portugueses a quiserem levar".

Edgar Silva "pegou" numa audiência já quente, mas ainda a conseguiu por a ferver. "A rutura com que começou a ser travado a 4 de outubro, com a derrota da direita, a necessidade de viragem é corporizada nesta candidatura. Não estamos condenados às injustiças, às desigualdades sociais, à exploração e empobrecimento do povo", destacou. "Nem sempre tivemos um pais assim amarfanhado", afirmou, recordando "as conquistas de direitos fundamentais" quando "abril aconteceu em Portugal".

"Qual se não a nossa candidatura, quem se não nós, pode voltar a fazer abril acontecer de novo? Quem, se não nós defende os direitos da Constituição, à Saúde, à Educação, à Cultura? Quem, como nós, defende os trabalhadores", questionou, retoricamente. "Porque todos sabem que nunca trairemos os trabalhadores, nem nunca trairemos Portugal!", concluiu. E tocou o hino nacional, a única música que tem encerrado as ações de campanha de Edgar Silva.

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