Jerónimo diz que Pinho "não é caso único" e propõe inquérito a outras empresas

O antigo ministro da Economia recebeu alegadamente perto de um milhão de euros de uma empresa do Grupo Espírito Santo, entre 2006 e 2012

O secretário-geral comunista afirmou hoje que a polémica sobre as ligações entre o ex-governante Manuel Pinho e o grupo Espírito Santo "não é caso único" e propôs o alargamento do inquérito parlamentar a outras empresas.

"Em relação à chamada de Manuel Pinho para audição na Assembleia da República, estamos de acordo. Estamos de acordo com a comissão de inquérito, embora com uma nota: creio que não é caso único, como é sabido", afirmou Jerónimo de Sousa.

O líder do PCP respondia a jornalistas após uma reunião com representantes da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, centrada nas questões da "revisão do estatuto e carreiras", na sede partidária, em Lisboa.

"Essa comissão de inquérito faria bem em alargar o seu âmbito. Vamos fazer propostas neste sentido. O BE admitiu estar aberto a esta dimensão. Vamos ver como se vai votar", anunciou, referindo as privatizações ou concessões de "PT/Altice, CTT, transportes", entre "outros setores".

O BE formalizou na quarta-feira o pedido de constituição de uma comissão parlamentar de inquérito ao "pagamento de rendas excessivas aos produtores de eletricidade", que deverá funcionar por quatro meses e abranger os governos entre 2004 e 2018, investigando a eventual "corrupção de responsáveis administrativos ou titulares de cargos políticos".

Em 19 de abril, o jornal eletrónico Observador noticiou as suspeitas de Manuel Pinho, arguido num caso que envolve a EDP, ter recebido cerca de um milhão de euros de uma empresa do GES, entre 2006 e 2012, tendo sido ministro da Economia.

"Está em curso o processo de investigação que deveria continuar a aprofundar-se para verificar responsabilidades que existam ou não, o apuramento da verdade. A investigação deve continuar, independentemente da outra dimensão que é a componente política", ressalvou Jerónimo de Sousa.

Para o dirigente comunista "há aqui uma causa funda, o problema da corrupção, do corrupto ou do corruptor, é intrínseco ao próprio sistema, a um poder político que, muitas vezes, se submete ao poder económico".

O secretário-geral do PCP condenou os "saltitões que são do Governo e depois passam para as administrações das empresas privatizadas, das empresas privatizadas para o Governo, com decisões políticas que podem comprometer a transparência dos processos".

Jerónimo de Sousa mostrou-se contra a "suspeição geral" sobre os políticos e defendeu a necessidade de "detetar processos obscuros, responsabilizando quem deve ser responsabilizado", embora lamentasse que "esta matéria não é consensual nem convergente com o PS", até porque os 15 deputados do PCP "não têm a mesma força que 80 e tal do PS".

O líder comunista recordou a iniciativa legislativa do PCP para aumentar "o período de nojo" entre funções governativas e o desempenho de cargos em empresas, e sublinhou que "a opinião pública vê alguém que foi responsável por uma privatização concreta e, passado pouco tempo, vai para o conselho de administração". Em seguida, ironizou: "Eu não acredito em bruxas, mas que as há, há..."

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