Jerónimo de Sousa: "Não peçam ao PCP que seja peninha no chapéu"

No final da reunião do secretariado nacional do partido, Secretário-geral do PCP nega mudança de atitude para com governo após as autárquicas mas também avisa que partido defenderá a sua agenda

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, recusou que o resultado da coligação PCP-PEV nas eleições autárquicas, em que a CDU perdeu uma dezena de autarquias, leve a uma mudança de atitude em relação ao acordo que permite ao PS governar o País.

Falando aos jornalistas à saída da reunião do secretariado nacional do partido, em Lisboa, Jerónimo de Sousa afastou a ideia de que os resultados eleitorais possam levar a CDU a adotar uma estratégia mais agressiva para com o PS ou mesmo a forçar a realização de eleições legislativas antecipadas, considerando que, de há dois anos para cá, graças ao acordo das esquerdas, o país vive uma "nova fase da vida política", em que têm vindo a ser "repostos rendimentos, direitos e até esperança".

Para o secretário-geral do PCP, só se o PS decidir "andar para trás" em algumas das medidas tomadas se poderá colocar o cenário de uma crise dessa ordem, pelo que deixou essencialmente nas mãos dos socialistas a manutenção deste governo até ao final da legislatura.

Isto frisou, não significa que não existam "diferenças de fundo" entre os partidos, ou que o PCP não pretenda oferecer "uma política alternativa e uma alternativa política" ao PS, pelo que, avisou, também não deverão contar com o partido para apoiar de forma acrítica as medidas e propostas do governo, nomeadamente no debate orçamental que se avizinha.

"Não peçam ao PCP - que nunca teve jeito para isso - que seja peninha no chapéu", alertou.

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