Bombeiros Profissionais concordam com criação de unidade de missão

A comissão técnica independente que analisou os incêndios de outubro de 2017 defende a criação de uma unidade de missão para reorganizar os corpos de bombeiros

O presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP) considerou hoje "importante" a criação de uma unidade de missão para reorganizar os corpos de bombeiros e destacou a necessidade de discutir no mesmo patamar prevenção e combate aos fogos.

Em declarações à agência Lusa, a propósito da divulgação na terça-feira do relatório da comissão técnica independente que analisou os incêndios de outubro de 2017, Fernando Curto defendeu a criação de uma unidade de missão que fomente a relação a todos os níveis: interligação da prevenção com o combate, organização e sustentabilidade das carreiras dos comandantes, da organização profissional do setor e a mobilização dos meios.

A comissão técnica independente que analisou os incêndios de outubro de 2017 defende a criação de uma unidade de missão para reorganizar os corpos de bombeiros, tendo em conta as vulnerabilidades existentes, que se vão agravar no futuro.

"Era importante que isto acontecesse porque neste momento não sabemos qual é a ponto de situação em relação àquilo que o Governo quer fazer e pretende fazer acerca desta matéria", disse.

No entender de Fernando Curto, neste momento está-se a falar "exclusivamente da prevenção", tendo sido criada toda uma estrutura para a prevenção para a floresta.

"Parece-me a mim, espero eu estar enganado, que estamos a esquecer-nos do combate. No nosso entender, o combate e a prevenção não podem estar desassociados um do outro e, nesse sentido, era importante que a discussão que está a ser feita ao nível da floresta em termos do que é a organização e o desenvolvimento, devia estar em paralelo a ser discutido num âmbito do combate", salientou.

De acordo com o responsável, há problemas no que diz respeito ao combate e isso pode ser verificado nos dois relatórios (aos incêndios de junho e outubro).

"É importante colocar ao mesmo nível da discussão a criação legislativa e a organização da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) e bombeiros, o que para nós não está a acontecer", disse.

No que diz respeito ao relatório, Fernando Curto considera que as conclusões reforçam as do documento anterior, relativamente ao incêndio de Pedrógão, em relação à desorganização, à desmobilização, de tudo o que teve a ver com as contingências que originaram a descoordenação dos incêndios e que voltaram a acontecer em outubro.

"É claro que não era possível mudar tudo, mas alterar algumas coisas, nomeadamente a deslocação de algumas pessoas em locais onde estava prevista pelo IPMA [Instituto Português do Mar e da Atmosfera] condições meteorológicas adversas", disse.

Para o presidente da Associação, a Autoridade Nacional de Proteção Civil deveria ter em consideração toda a situação prevista pelo IPMA e ter uma perspetiva de prevenção diferente.

"Por outro lado, também em outubro no final da fase Charlie e início da fase Delta, não houve a continuidade e o reforço e a mobilização dos efetivos que estavam a desmobilizar na organização do DECIF [Dispositivo Especial de Combate a Incêndios], a diretiva do DECIF, não só no que diz respeito aos recursos humanos, como também o próprio relatório diz que foram recusadas várias propostas, nomeadamente uma de meios aéreos. Todas estas situações contribuíram para que acontecesse o que aconteceu", indicou.

A comissão técnica independente que analisou os grandes incêndios rurais de 2017 entregou na terça-feira no parlamento o relatório dos fogos de outubro, envolvendo oito distritos das regiões Centro e Norte.

O documento, que atualiza para 48 o número de mortos nesse mês, conclui que falhou a capacidade de "previsão e programação" para "minimizar a extensão" do fogo na região Centro (onde ocorreram as mortes), perante as previsões meteorológicas de temperaturas elevadas e vento.

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