IDT aconselha professores a controlar consumo de droga

O delegado regional do centro do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), Carlos Ramalheiro, defendeu hoje que as viagens de finalistas devem ser "enquadradas" por professores para minimizar problemas relacionados com o consumo de drogas e álcool.

A advertência de Carlos Ramalheiro surge numa altura em que a GNR e a PSP, em operações levadas a cabo nos últimos dias, só nos distritos de Viseu e da Guarda, apreenderam centenas de doses de haxixe, ecstasy e outros estupefacientes na posse de jovens integrados nas viagens de finalistas em direcção a Espanha. A PSP de Viseu, numa operação conduzida no fim-de-semana, segundo informação do comando distrital, apreendeu 400 doses de haxixe em buscas efectuadas em autocarros que transportavam estudantes em direcção a Espanha. Na Guarda, a GNR, numa operação levada a cabo na fronteira de Vilar Formoso, também no fim-de-semana, deteve pelo menos, três estudantes no âmbito de uma operação de controlo de grupos de alunos que seguem para Espanha em viagens de finalistas.

O tenente-coronel Cunha Rasteiro, chefe da secção de investigação criminal do Comando Territorial da GNR da Guarda, disse à Lusa que os jovens foram detectados na posse de estupefacientes durante a fiscalização a 38 autocarros que transportavam estudantes para a costa mediterrânica de Espanha. Os estudantes, que seguiam em quatro autocarros diferentes, detinham "meio milhar de doses individuais de ecstasy, haxixe e 'cannabis'", que foram apreendidas pela GNR, indicou Cunha Rasteiro. Perante este cenário, que se reproduz um pouco por todo o país, o delegado regional do centro do Instituto da Droga e da Toxicodependência defendeu hoje em Tondela, Viseu, à margem da cerimónia de criação de um núcleo territorial do Programa de Respostas Integradas de combate ao consumo de drogas e álcool, que as viagens de finalistas "merecem uma atenção dos pais" mas também das escolas.

Estas viagens de finalistas são normalmente organizadas pelas associações de estudantes e não envolvem acompanhamento de professores ou encarregados de educação. Situação que Carlos Ramalheiro considera errada e para a qual aconselha a intervenção das escolas, nomeadamente a criação de condições para que estas viagens de finalistas tenham o acompanhamento de professores. "Trata-se de um fenómeno cultural onde, quantas vezes, os jovens, como é da sua natureza, testam limites. Por isso é importante que os pais e as escolas reflictam sobre a participação dos seus filhos nestas viagens", apontou.

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