Idosa encontrada morta após quatro dias caída no chão

Polícia foi chamada pelos vizinhos que estranharam não ver Ana, de 85 anos, há uns dias. O filho Luís, de 57 anos, deficiente profundo, foi encontrado ao lado da mãe, desmaiado

A PSP e o INEM foram chamados a um 4º andar do Bairro do Outeiro no Porto, na sexta-feira passada. Dentro da casa encontraram os corpos de Ana Silva, 85 anos, e ao lado, do filho Luís, 57 anos, deficiente profundo, inanimados. A idosa terá estado caída quatro dias no chão da casa de banho antes de ser encontrada pelas autoridades, relata na edição de hoje o Jornal de Notícias.

Mãe e filho foram transportados para o Hospital de S. João, no Porto. A idosa morreu um dia depois, no sábado. O filho continua internado.

Uma vizinha, que preferiu manter o anonimato, contou ao JN que começou por achar estranho ver, na manhã de terça-feira, quando saía para o trabalho, as luzes acesas pelas persianas entreabertas da casa ao lado. O som da televisão continuou alto nos dias seguintes. Foi aí que começou a questionar os outros vizinhos. Já ninguém via Ana Silva Lourenço há uns dias.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?