Homossexualidade "é uma anomalia". Gentil Martins arrisca inquérito da Ordem

Entrevista do cirurgião gerou polémica e deu origem a queixas

O bastonário da Ordem dos Médicos admitiu hoje ao Observador que as declarações de Gentil Martins, 87 anos, ao Expresso poderão ser alvo de um inquérito. Miguel Guimarães explicou que duas médicas manifestaram a intenção de apresentar queixa e que quando isso acontecer a Ordem vai ter de analisar o caso.

O cirurgião Gentil Martins defendeu na entrevista na revista do Expresso que a homossexualidade constitui "uma anomalia", "um desvio da personalidade". "Como os sadomasoquistas ou as pessoas que se mutilam", comparou. O médico garantiu que quando tem de tratar estas pessoas o faz "como a qualquer doente", mas realçou que não aceita promovê-la.

Manifestando-se contra a adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo e contra o aborto, o médico católico praticante, foi também bastante crítico em relação a Cristiano Ronaldo, que recorreu a barrigas de aluguer para ter três filhos.

"Considero um crime grave. É degradante, uma tristeza. O Ronaldo é um excelente atleta, tem imenso mérito, mas é um estupor moral, não pode ser exemplo para ninguém ", disse, defendendo que "toda a criança tem direito a ter mãe".

A deputada do PS Isabel Moreira apelou no Facebook a uma denúncia na Ordem dos Médicos, considerando que as declarações de Gentil Martins relativamente à homossexualidade "violam a deontologia médica e têm consequências negativas, graves, gravíssimas".

Duas médicas terão contactado a Ordem dos Médicos a avisar que iriam apresentar queixa na Ordem, segundo disse o bastonário ao Observador. Se essa queixa for formalizada, o conselho de Jurisdição terá de analisar as declarações, pesando o equilíbrio entre a liberdade de expressão e "o dever que os médicos têm de ter um comportamento público adequado à dignidade da profissão", explicou ao site Miguel Guimarães.

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