Homem acusado de 55 crimes de burla pelo Facebook

Criou falsos perfis e garantia vender telemóveis, relógios ou televisores mas depois de receber o dinheiro nunca entregou os bens. Houve uma pessoa que chegou a pagar dois mil euros

Nas páginas do Facebook criadas por este falso comerciante surgiam telemóveis, relógios, televisores e calçado desportivo. Até se podiam ler comentários de supostos clientes, muito satisfeitos com os negócios. Mas era tudo burla. Na realidade, os compradores pagavam e nunca recebiam os bens. Houve uma pessoa que chegou a entregar dois mil euros para pagar seis telemóveis, dois televisores e duas máquinas fotográficas. O suspeito está detido e foi agora acusado pelo Ministério Público no DIAP do Porto da prática de 55 crimes de burla qualificada e de 2 crimes de falsificação.

"O arguido engendrou um plano que consumou entre 2015 e 8 de junho de 2017, dia em que foi detido, através do qual logrou convencer muitas dezenas de pessoas a entregar-lhe quantias em dinheiro através de anúncios na rede social Facebook, em que prometia vender múltiplos bens, tais como telemóveis, relógios, televisões, calçado desportivo, etc, dinheiro que utilizou em proveito próprio, jamais tendo entregue qualquer bem que anunciou vender", revela a Procuradoria-Geral Distrital do Porto (PGDP), em nota informativa hoje divulgada.

O homem criou "múltiplos falsos perfis no Facebook", e fabricou mesmo comentários de supostos utilizadores em que mostravam "satisfação pela eficiência e qualidade dos produtos 'adquiridos'". A PGDP adianta que "as quantias assim recebidas, normalmente na ordem das centenas de euros, chegaram a atingir mais de 2000 euros no caso de um cidadão que se mostrou interessado na aquisição de seis telemóveis, duas televisões e duas máquinas fotográficas".

Calcula o Ministério Público que este homem, que aguarda julgamento na prisão, terá arrecadado mais de 17 mil euros através deste esquema de burla pelas redes sociais.

Esquemas sucedem-se

As burlas através do Facebook têm dado muito trabalho às autoridades policiais com os casos a sucederem-se. Há três semanas, a PSP deteve 20 pessoas, na zona de Leiria, que vendiam calçado de marca falsa na internet, esquema que lesou cerca de 1400 compradores e permitiu à organização lucros de quatro milhões de euros. A maioria dos suspeitos, quase todos marroquinos, ficou em prisão preventiva.

A burla, neste caso, era diferente. Os suspeitos criavam páginas na rede social Facebook para promover e anunciar a venda de calçado de marca, a preço de saldo e referiam que se tratava de calçado importado, sendo por isso mais barato que nas lojas. Contactados pelos ofendidos e concretizado o negócio, os detidos enviavam o calçado "sem qualquer marca distintiva e não correspondente ao que se haviam comprometido a vender e que foram pagos", explicou a PSP, adiantando que as encomendas eram expedidas através de apartados dos CTT e levantadas mediante o pagamento. Já foram identificados entre 1300 a 1400 vítimas.

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