Começa no Pontal o ano mais difícil da liderança de Passos

Há um ano, circunstâncias económicas davam razão ao pessimismo do ex-primeiro-ministro. Mas as circunstâncias mudaram. Passos tenta mobilizar partido para as autárquicas

O PSD dá hoje, com a chamada Festa do Pontal , o pontapé de saída para o novo ano político - o terceiro desta legislatura . E a pergunta é só uma: no próximo ano, será ainda Passos Coelho o orador principal no palco da Quarteira?

Há um ano, minutos antes do jantar começar, Passos Coelho, muito bronzeado, dizia aos jornalistas que estava a ter um verão "escandalosamente bom". Tinha rebentado o escândalo das viagens ao Euro 2016 de futebol, em França, oferecidas pela Galp a três secretários de Estado; o país ardia como habitualmente; e, importante para os prognósticos pessimistas do líder do PSD, a economia quase não crescia (0,2% no segundo trimestre face ao primeiro e 0,8% quando comparado com o mesmo trimestre de 2015). Passos não hesitou em decretar: "Esta solução de governo está esgotada" porque "no espaço de um ano as coisas alteraram-se e não se alteraram para melhor", "o país está a crescer metade agora do que crescia então [na fase final do seu Governo]".

É certo que entretanto os secretários de Estado do "Galpgate" tiveram de se demitir. E que este ano a consequência dos incêndios se revelou brutalmente mais dramática do que em 2016, por causa dos 64 mortos de Pedrógão. Mas a economia cresce (estima-se que no segundo trimestre cerca de 3% face ao trimestre homólogo de 2016); e, quanto aos dados do emprego, os últimos dados do INE revelam no segundo trimestre de 2017 a maior criação de postos de trabalho em 19 anos, com uma taxa de desemprego nos 8,8% - números inéditos desde 2009. Na economia, enfim, só a dívida pública continua a sustentar prognósticos de que o diabo anda por aí. Passos já não tem muito por onde ir, nestas questões.
Para fora, resta-lhe então o discurso de exigência de urgentes indemnizações às vítimas do incêndio de Pedrógão. Os últimos relatórios divulgados pelo Governo dão sustentação cada vez mais forte à tese de que houve mesmo responsabilidade do Estado, por via de uma atuação bastante descoordenada da Proteção Civil (descordenação que terá tido o seu pico máximo na janela temporal da noite de 17 de junho em que ocorreram as mortes) e nos mais que diagnosticados falhanços do SIRESP.

Para consumo interno, há que mobilizar as hostes para as eleições autárquicas. Este poderá ser o evento que determinará um antes e um depois na carreira de Passos Coelho como líder do PSD. O seu partido parte como uma desvantagem face ao PS de mais de 40 presidências de câmara. Ninguém espera que seja possível dar a volta a tão larga diferença. Mas se o partido não conseguir, pelo menos, recuperar substantivamente, Passos terá dias difíceis à frente.

Algures no início de 2018 haverá mais um congresso do partido. Sabe-se que o resultado das autárquicas é decisivo para Rui Rio decidir se avança ou não . Paulo Rangel também não se auto-exclui. Sete anos depois do congresso que o elegeu líder (2010), Passos Coelho voltará a enfrentar concorrência interna. Daí a pergunta: será ele o líder do PSD no Pontal de 2018? Uma coisa é certa: seja qual for o resultado autárquico - irá à luta.

A rentrée continuará ainda este mês com iniciativas do PS (26 de agosto, em Faro) e do BE (27, encerramento do Fórum Socialismo, em Lisboa). A 3 de setembro, o PSD terá a segunda rentrée, com o encerramento por Passos da Universidade de Verão do partido. No mesmo dia, Jerónimo de Sousa encerrará a Festa do "Avante!". No dia 9 será a vez do CDS, com o fecho por Assunção Cristas de uma convenção autárquica do partido, em Lisboa.

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