"Há condições para unir os que se revejam nos valores do PS"

Luísa Salgueiro recuperou para o PS aquele que já foi um bastião socialista, Matosinhos, apesar de ter como adversários outros dois antigos camaradas de partido

Nas eleições de domingo, Luísa Salgueiro recuperou para o PS aquele que já foi um bastião socialista, Matosinhos, apesar de ter como adversários outros dois antigos camaradas de partido: António Parada, cabeça de lista em 2013, e Narciso Miranda, que já liderou a autarquia. A ainda deputada - que vai agora passar o testemunho do seu trabalho no Parlamento - contou com a bênção de Guilherme Pinto, entretanto falecido, que era o presidente da autarquia, eleito como independente, depois de se ter zangado com o PS há quatro anos.

O que é que representa esta vitória?

Atingi o objetivo decisivo para Matosinhos e para o PS de Matosinhos que é a afirmação de um projeto que volta a unir socialistas com pessoas que saíram do Partido Socialista. O que pretendo é com esta candidatura e com esta eleição marcar um novo ciclo no concelho em termos políticos.

O PS "oficial", chamemos-lhe assim, ganhou sem maioria e venceu duas outras candidaturas da área socialista. É com elas que conta governar?

Conto governar com as pessoas que se comprometam a executar o programa que apresentei a sufrágio. Não hipotecarei as propostas que fizemos nem adulterarei os compromissos que assumi com os matosinhenses, conversarei com os eleitos para perceber quem é que está disponível para trabalhar connosco.

À esquerda, há a possibilidade de contar com o vereador José Pedro Henriques, da CDU, que foi reeleito?

Nós dissemos que esta é uma candidatura de continuidade. Eu não quero com romper com o trabalho que o Guilherme Pinto e o executivo fizeram, o nosso ponto de partida é o trabalho do executivo que está ainda em funções. Uma vez que José Pedro Henriques está em funções e tem pelouros, é natural que nós pretendendo dar continuidade, ele esteja disponível para continuar também. Mas ainda não falei com ele.

Falou em unir os socialistas em Matosinhos. Até que ponto acha que é possível conseguir essa união?

Com todos aqueles que se revejam e defendam os valores do Partido Socialista, há condições para unir. Com outros socialistas que já saíram do partido, como por exemplo o António Parada, que disse que os princípios e valores que defendia eram os mesmos do CDS, acho que já não é possível porque mudaram de paradigma ideológico. Para quem continuar a rever-se nos princípios socialistas, haverá condições para nos unirmos todos.

António Parada [que foi cabeça de lista pelo PS e era vereador socialista] prometeu fiscalizar de forma bastante atenta o trabalho do PS, nomeadamente no acompanhamento das promessas que fez durante a campanha.

É o que se espera de todos os vereadores eleitos, que fiscalizem a atividade do executivo, são parte do executivo. Não é um anúncio, é um compromisso que deve estabelecer com os eleitores que confiaram nele.

Quais são as suas prioridades no imediato para o trabalho autárquico?

Afirmar as nossas propostas, começando sobretudo no combate ao insucesso escolar, na atração do investimento e criação do emprego e no apoio aos mais velhos. São estas as três prioridades essenciais. Passando pelo turismo e pela cultura... Não dá para elencar ou priorizar qual destas é mais importante, é preciso avançarmos já, desde o início, com estas prioridades que vão ser decisivas para o desenvolvimento futuro do concelho.

Não deixou de referir na noite da eleição do apoio que o anterior presidente Guilherme Pinto lhe manifestou. Até que ponto vai pesar o legado deste?

Vai pesar e eu espero que pese. Eu não quero adulterar nem apagar o legado dele. Quero honrá-lo e dar continuidade ao legado dele. Espero que pese, quero que pese.

Na reunião do secretariado da federação do Porto, na noite de segunda, foi dada alguma orientação para a estratégia a seguir nas autarquias?

Não discutimos a estratégia de nenhum concelho. Fizemos a avaliação dos resultados a nível distrital. Não nos focámos nas questões de estratégias locais.

Essa avaliação foi positiva?

Foi muito positiva. Não ganhámos a Câmara do Porto, nunca estivemos a contar ganhá-la... A nossa estratégia era de participar na gestão de Rui Moreira, mas não foi possível. Penso que, apesar de tudo, face ao ponto de partida, Manuel Pizarro conseguiu um resultado fantástico, conseguiu eleger mais um vereador, apresentou uma equipa fantástica, fez uma campanha muito forte. No Porto, nunca contámos eleger o presidente porque iríamos estar num acordo com Rui Moreira. Quanto às outras câmaras, nós recuperámos Matosinhos e ganhámos em Felgueiras, Paredes e Marco de Canaveses. Perdemos Vila do Conde, mas o saldo é muito positivo para o PS. O PS passa a ter 11 câmaras no distrito. Mais nenhum outro presidente da federação [do Porto] pode apresentar um currículo deste, exceto o Carlos Lage que, no tempo dele, o PS teve 12 câmaras.

Vai permanecer no Parlamento até à tomada de posse?

Vou. Ainda não há data para a tomada de posse porque é preciso fazer o apuramento geral [dos resultados].

Até lá vai começar a preparar a sua presidência...

Já estive a trabalhar! De manhã estive reunida com o presidente da câmara [em exercício, Eduardo Pinheiro], não pude ir ao plenário [ontem] do Parlamento porque fui a um funeral de um camarada que morreu no fim da campanha, de sexta-feira para sábado, agora vou para a sede, trabalhar, fazer mais contactos e preparar as coisas para começar o trabalho logo no primeiro dia em que assumir funções.

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