Guerra colonial foi fator de longevidade da ditadura

A guerra colonial contribuiu para a revolução do 25 de abril de 1974, mas também foi um dos factos de longevidade da ditadura portuguesa, defendeu hoje um académico britânico.

"A guerra colonial levou à revolução, mas só 30 anos depois de começar", comentou Malyn Newitt, professor de História no King's College London, universidade onde se realizou hoje um colóquio sobre "Por que durou tanto a ditadura portuguesa".

O conflito, vincou este especialista em história colonial portuguesa em declarações à agência Lusa, "fez as forças armadas apoiarem o regime e iniciou um período de novas políticas que levou à expansão da economia".

Nos anos 1960, o regime promoveu a industrialização, reforma da educação e modernização do país, criando oportunidades de emprego.

Um exemplo de atividades em que se notou um grande investimento foi a construção de infraestruturas, como estradas ou grandes projetos, como a barragem de Cahora Bassa, em Moçambique.

Foi no início dos anos 1970, recordou Newitt, "que se começaram a sentir os efeitos negativos da guerra e os militares tornaram-se politicizados" e alguns oficiais, como António de Spínola, que esteve colocado na Guiné-Bissau, "começaram a pensar em soluções para as colónias".

O colóquio foi organizado pelo Centro Camões do King's College e pelo Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa e contou com intervenções de historiadores como Fernando Rosas, Pacheco Pereira, Irene Pimentel, Pedro Ramos Pinto, a politóloga Marina Costa Lobo e os jornalistas Jacinto Godinho e José Pedro Castanheira.

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