Gritam-se palavras de ordem e canta-se a "Grândola"

Desde às 19:00 que algumas pessoas começaram a concentrar-se frente ao Parlamento. O número continua a aumentar e depois de um início de concentração calma, já se gritam palavras de ordem.

Começaram por ser cerca de 200, mas não param de chegar pessoas para se juntar aos protestos frente à Assembleia da República. Durante mais de uma hora o ambiente foi calma, mas há pouco o cenário mudou. Gritam-se palavras de ordem contra o governo e a troika e já se cantou a "Grândola Vila Morena".

Às 17:40 chegou um reforço policial, sob a forma de cinco carrinhas, com uma dezena de agentes cada. O trânsito se faz com normalidade durante toda a tarde, mas as autoridades tiveram de cortar a via às 20:00 quando o número de manifestantes já era considerável.

Com coletes amarelos fluorescentes com as letras MRB.pt, membros do Movimento Revolução Branca entregaram às 18:00 um documento a um representante da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves.

O documento, um "ultimatum", titula "a não aceitação e o não cumprimento implica o apelo público à desobediência civil eleitoral". Como havia poucas pessoas presentes na hora da entrega, o representante da presidente desceu as escadarias pessoalmente para atender o grupo.

O movimento 'Que se Lixe a Troika' demarcou-se do protesto de cerco ao parlamento, em Lisboa, que se realiza hoje, dia para o qual convocou várias manifestações em mais de 40 cidades, incluindo a capital.

Hoje, além da iniciativa do Movimento Que se Lixe a Troika, realiza-se uma outra, em frente à Assembleia da República, designada "cerco ao parlamento".

Um dos membros do movimento 'Que se Lixe a Troika', Nuno Ramos de Almeida, lembrou à agência Lusa que o protesto promovido pela organização em Lisboa começa no Marquês de Pombal e termina no Terreiro do Paço.

Sobre a participação dos manifestantes no cerco ao parlamento, convocado na rede social Facebook, Ramos de Almeida disse que o movimento "não poderá controlar" esta opção.

O movimento 'Que Se Lixe a Troika' esteve na origem de uma grande manifestação, a 15 de setembro, contra a austeridade.

O último cerco ao parlamento, a 14 de novembro, dia de greve geral, acabou em confrontos entre polícia e manifestantes, de que resultaram várias dezenas de feridos.

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