Cirurgias no Hospital de São João a meio gás devido à greve

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública, estão a funcionar quatro das 11 salas de cirurgia no Hospital de São João

Uma fonte sindical adiantou que a greve dos trabalhadores do setor público da saúde encerrou quatro das 11 salas de consultas de cirurgia do Hospital São João, no Porto, enquanto nas consultas externas a paralisação atingiu os 50%. Admitindo que os números apurados durante a manhã no hospital do Porto ficaram "um pouco aquém" do previsto pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (Sintap), o dirigente Carlos Lopes disse à agência Lusa que a adesão é grande.

"O balanço relativamente ao Hospital de São João é que, neste momento, temos apenas a funcionar quatro das 11 salas de cirurgia, pois apenas apareceram quatro das auxiliares, houve uma grande adesão. Ao nível das consultas externas, verifica-se também um grande atraso", disse o responsável do Sintap, acrescentando que "as pessoas aderiram, não tanto como queríamos. Sem números concretos, a adesão andará à volta dos 50%, um número que fica um pouco aquém da expectativa".

Para o sindicalista, os números da adesão devem-se ao facto de "a grande maioria das pessoas ter medo de perder o seu posto de trabalho", situação que Carlos Lopes considerou "compreensível".

A greve dos trabalhadores do setor público da saúde não pareceu repercutir-se entre as pessoas que acorreram às consultas externas daquele hospital, segundo Manuela Silva, utente da Maia. "Vim para uma consulta de controlo de sangue e correu tudo dentro da normalidade", disse à agência Lusa, enquanto esperava para "conhecer o resultado da análise". Ao ter conhecimento da greve, mostrou simpatia pelos dois dias de paralisação sem, contudo, deixar de considerar "parecer ser um dia normal" no hospital.

Na mesma linha de pensamento, Adão Brito, utente de Lousada, deslocou-se ao Porto para "uma consulta de cirurgia", garantindo ter sido "atendido dentro do tempo previsto". "Estou neste hospital pela segunda vez numa semana e não noto diferença nenhuma", declarou à Lusa.

O protesto pretende exigir a aplicação do regime de 35 horas de trabalho semanais para todos os trabalhadores, progressões na carreira e o pagamento de horas extraordinárias vencidas e não liquidadas

Em passo apressado, mas sem dispensar um sorriso por ter conseguido a consulta para a filha, Alice Matos, de Vila do Conde, foi ao hospital para "uma consulta de Oncologia", onde foi "atendida rapidamente".

A paralisação nacional começou hoje às 00:00 e prolonga-se até às 24:00 de quinta-feira, dia em que o sindicalista "aposta no crescimento da adesão". O protesto pretende exigir a aplicação do regime de 35 horas de trabalho semanais para todos os trabalhadores, progressões na carreira e o pagamento de horas extraordinárias vencidas e não liquidadas. O Sintap reivindica ainda a aplicação do subsistema de saúde ADSE, para funcionários públicos, a todos os trabalhadores, bem como um acordo coletivo de trabalho para os trabalhadores com contrato individual de trabalho.

No dia 25 deste mês, os trabalhadores do setor da saúde voltam a cumprir um dia de greve, convocada pelos sindicatos afetos à CGTP. A greve abrange todos os trabalhadores da saúde, exceto médicos e enfermeiros dos serviços tutelados pelo Ministério da Saúde, como hospitais ou centros de saúde. Já na próxima semana é a vez dos sindicatos médicos paralisarem, na sequência de uma greve de três dias agendada para os dias 8, 9 e 10.

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