Greve deverá fechar "centenas de escolas"

Sindicatos projetam adesão superior à greve de 2015, que fechou mais de 200 estabelecimentos

Esta sexta-feira poderá muito bem ser um dia de folga para boa parte dos alunos das escolas públicas do país. É pelo menos esta a convicção dos sindicatos, que apontam para uma "grande greve" dos funcionários não docentes, que deverá deixar "centenas" de escolas com os portões encerrados.

"Temos a perspetiva de uma grande greve", confirmou ao DN Artur Sequeira, da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FP), situando nas "largas centenas" os estabelecimentos que deverão fechar.

O pré-aviso de greve abrange não só os cerca de 30 mil assistentes operacionais (auxiliares) das escolas mas também os assistentes técnicos, nomeadamente pessoal das secretarias e técnicos especializados, como os psicólogos escolares. Mas será sobretudo a adesão dos auxiliares a ditar se as escolas abrem ou não. Se uma greve de professores deixa os alunos sem aulas, quando as escolas não têm um número mínimo de auxiliares presentes param todos os outros serviços necessários para os alunos.

Em fevereiro de 2015, a FP apontou para uma adesão à greve de 80%, contabilizando mais de duas centenas de escolas ou agrupamentos de escolas encerrados, nomeadamente nos distritos de Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Leiria e Viseu.

Agora, disse ao DN João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE) e que também representa milhares de trabalhadores não docentes e aderiu à greve, as expectativas são para "uma adesão da ordem dos 90%".

Diretores confirmam "sinais"

Manuel António Pereira, presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares (ANDE), confirmou também ao DN que os responsáveis escolares se estão a preparar para um impacto significativo "em determinadas regiões do país". "Por respeito ao direito à greve, não temos por hábito perguntar às pessoas se vão parar ou não, mas tentamos ler os sinais. Na última greve, o meu agrupamento [Cinfães, Viseu] teve de fechar. E a sensação que tenho é que com esta greve será igual", admitiu.

Este diretor, num agrupamento que recebe alunos que chegam a fazer 30 quilómetros para chegar à escola, já começou os preparativos: "Vou falar com o presidente da câmara, responsável pelos transportes escolares, para, caso seja necessário, fazer regressar as crianças a casa", contou. "Estaremos também preparados para oferecer o pequeno-almoço aos alunos que saem de casa sem fazer essa refeição, mas isso será assegurado pelos professores e pela própria direção."

Os sindicatos - incluindo os da administração pública, que convocaram a greve - coincidem nas revindicações, as quais, de resto, não diferem muito das que eram feitas ao anterior governo: reforço dos quadros, integrando 1822 trabalhadores a termo e resolvendo a situação dos tarefeiros pagos à hora, descongelamento das carreiras e dos salários .

Tanto Artur Sequeira como João Dias da Silva criticaram o Ministério da Educação, que acusaram de "recusar debater" estas questões. Ao DN, o ministério disse apenas respeitar o direito à greve, "consagrado constitucionalmente".

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