Dois anos de Governo. Marcelo diz que políticos têm de atender às pessoas de carne e osso

Presidente da República escusou-se a comentar sessão de perguntas de cidadãos ao executivo

O Presidente da República defendeu hoje, em Marco de Canaveses, que os políticos não se podem "descolar" daquilo que sentem "as pessoas de carne e osso".

"Que aqueles que intervêm na vida política estejam identificados com as pessoas concretas de carne e osso, que estejam atentos àquilo que se pensa, àquilo que se sente, se sofre e é preciso resolver, dos vários lados", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado respondia a questões dos jornalistas sobre o segundo aniversário do Governo socialista, hoje assinalado, recusando-se a comentar a sessão de perguntas de cidadãos ao executivo, que vai decorrer em Aveiro, à tarde.

"É uma matéria que não comento, o Presidente da República coloca-se noutro plano, acima disso tudo. Há problemas tão importantes dos portugueses e são esses problemas que preocupam o Presidente da República, de facto, e alguns deles ficaram mais visíveis com as tragédias recentes", destacou.

"Não podemos nunca descolar dessas necessidades", acrescentou, referindo que as pessoas de carne e osso "são a justificação da vida política".

O Presidente participou hoje em Marco de Canaveses, no distrito do Porto, na homenagem da paróquia da cidade a António Francisco, bispo do Porto, que decorreu no Centro Paroquial de Santa Maria e à qual assistiram centenas de pessoas.

Do programa da visita constava também uma visita ao hospital da cidade, para assinalar o 50.º aniversário da Santa Casa da Misericórdia de Marco de Canaveses, proprietário daquele equipamento.

À margem do programa oficial, o chefe do Estado respondeu às várias perguntas dos jornalistas sobre o balanço dos dois anos de governação.

"Limito-me a dizer o que digo desde o primeiro minuto. No primeiro minuto achava-se que era impossível, muitos achavam que era impossível, eu sempre pensei que era possível e desejável", comentou.

Para o Presidente, tendo em conta que a Europa e o mundo estão numa "fase difícil", não se deve "juntar crises internas a problemas internacionais".

"Foi isso que eu sempre pensei e é isso que eu penso. Não mudo de pensamento, sou muito estável, não tenho estados de alma ao longo do meu mandato", acrescentou.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Adriano Moreira

O relatório do Conselho de Segurança

A Carta das Nações Unidas estabelece uma distinção entre a força do poder e o poder da palavra, em que o primeiro tem visibilidade na organização e competências do Conselho de Segurança, que toma decisões obrigatórias, e o segundo na Assembleia Geral que sobretudo vota orientações. Tem acontecido, e ganhou visibilidade no ano findo, que o secretário-geral, como mais alto funcionário da ONU e intervenções nas reuniões de todos os Conselhos, é muitas vezes a única voz que exprime o pensamento da organização sobre as questões mundiais, a chamar as atenções dos jovens e organizações internacionais, públicas e privadas, para a necessidade de fortalecer ou impedir a debilidade das intervenções sustentadoras dos objetivos da ONU.